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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Banca da Graça: uma experiência de economia da dádiva e amor incondicional

Imagine que você está andando no centro de sua cidade. De repente, você se depara com uma banca cheia de CDs, DVDs, livros, utensílios diversos, brinquedos de criança, aparelhos celulares e até um computador. Instigado pela curiosidade, você resolve se aproximar e descobre que tudo isso está de graça. É só chegar e pegar! Esta é a proposta da Banca de Graça, uma iniciativa subversiva e revolucionária que você vai conhecer agora.
Desde criança aprendemos a fazer operações matemáticas de compra e venda no mercado. Em nome de uma boa aprendizagem, somos treinados a fazer uma lista de compras, ser um cidadão comportado e, com isso, internalizamos que o importante é não sair perdendo, não ser nunca passado para trás. O referencial estabelecido na nossa sociedade é de que o mundo é feito de transações econômicas envolvendo bens, serviços e moeda. O que está por trás das transações econômicas? O que está oculto sob a lógica financeira da permuta?
Muitos nem imaginam que podem vivenciar uma situação de dar e receber que não seja de compra e venda de bens e serviços. Mas no universo temos uma infinidade de recursos e energias flutuantes, materializadas ou não, que estão circulando DE GRAÇA. Quando nos damos conta de que existem energias disponíveis, que podem simplesmente circular, adentramos em uma outra lógica: chegamos ao mundo da Banca de Graça.
Banca da Graça é um entreposto de doações. Qualquer pessoa pode doar ou pegar para si qualquer coisa. A idéia subverte a lógica do mercado e vai além do processo que o mundo alternativo aprendeu e chama de Economia Solidária, redes e feiras de troca ou escambo. Na Economia Solidária, é preciso ter alguma coisa para realizar a troca, seja uma moeda social ou um produto comprado no supermercado. A troca ainda é condicionada. Não é mercantilizada como no capitalismo selvagem, mas ainda assim ela é obrigatoriamente bilateral. Na Banca de Graça não é preciso trazer nada e não há obrigação de levar nada. Pode-se, inclusive, realizar apenas uma troca energética, não material. É um exemplo perfeito da Economia da Dávida do MAUSS!
A palavra GRAÇA tem um duplo significado: em termos econômicos, GRAÇA tem o sentido de gratuito, aquilo que dispensa o desembolso de dinheiro. Por outro lado, quando utilizada de maneira transcendental, a palavra GRAÇA significa benevolência divina em favor de alguém ou de algo. Assim, realizar uma banca DE GRAÇA é uma atitude simultaneamente econômica e espiritual.
O que a Banca de Graça propõe é simplesmente retomar aquilo que diversos mestres do passado deixaram para nós. Nem todos falam sobre dinheiro, mas muitos colocaram a questão energética: dedica, serve e doa para todos, incondicionalmente.
"Quem guarda em casa aquilo que a outros é necessário, esse é um ladrão"
Mahatma Gandhi

Como surgiu a Banca de Graça

GYUW – que prefere não se identificar para não inflar seu ego – foi o “canalizador” da iniciativa. Segundo ele, a Banca de Graça não é sua criação, mas uma crê-ação – o que ressalta o caráter espiritual da ação, ao implicar que basta ter fé e agir de acordo. Em 2009, ele estava em uma comunidade na Chapada Diamantina (BA) realizando um retiro de silêncio quando recebeu a inspiração para contribuir com mais uma luz para o caminho da organização humana. Num esforço de humildade, GYUW ressalta que provavelmente existem outras iniciativas semelhantes: “Quando a gente recebe as coisas em um nível interno, isso não é comunicado apenas a um ser, mas a diversos seres para ajudar a ressoar para a humanidade. Cada um vai passar de um jeito”.
Em sua dissertação de mestrado em Pedagogia, defendida em 2005 na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), GYUW já falava sobre compartilhar incondicionalmente. O prof. Armando Lisboa, um dos maiores nomes da Economia Solidária do Brasil, fez parte da banca de defesa. Na ocasião, ele afirmou: “Acho maravilhoso, mas não tenho como defender isso na academia porque está além do que a ciência econômica estuda”.
Após o retiro que trouxe a inspiração para realizar a Banca de Graça, GYUW se dirigiu para São Roque, próximo à capital paulista, onde a ideia se tornou realidade. Lá ele se juntou a um grupo que atuou como núcleo gestor da 1ªBanca de Graça, que aconteceu na praça central da cidade.
Por influência ou participação direta de GYUW, a Banca da Graça já aconteceu nas cidades de São Roque (SP), Curitiba (PR), Águas Mornas, Palhoça e Florianópolis (SC). Algumas experiências foram realizadas em praças públicas, outras em espaços fechados e eventos.

Reação do público

Desde o início, a preocupação dos núcleos organizadores esteve focada na orientação espiritual, considerada por GYUW pré-requisito indispensável para realizar uma Banca de Graça. “Percebemos que, se não houver uma preparação espiritual interna, corre-se o risco de criar uma confusão” – afirma GYUW. “Imagine você colocando em praça pública uma banca e oferecendo gratuitamente várias doações. Neste mundo maluco que esta aí, pode virar uma briga para ver quem leva primeiro o quê. Eu sabia que tinha que ter um trabalho interno para que não fôssemos nós, para que a Energia Maior conduzisse, para que fôssemos só os instrumentos.”
Nas praças públicas, o contato com o público acontecia de maneira generalizada, envolvendo os transeuntes de todas as faixas etárias e classes sociais. Alguns simplesmente ficavam em silêncio, tentando compreender o que estava acontecendo. Outros conversavam bastante, se interessavam e concordavam com a iniciativa. Muitos desconfiavam: “Banca de graça, como assim? Computadores, livros, roupas, tudo de graça?”
“Não é coerente restringir a Banca de Graça a alguns tipos de produtos; se a pessoa traz 5 pacotes de soja transgênica e alguém quiser pegar, que pegue. É incondicional.”
GYUK, canalizador da Banca de Graça
GYUW relata que “ocorriam verdadeiros choques de alma, em que as pessoas ficavam perguntando: ‘Como pode ser de graça?’ Não ficavam perguntando tanto pra nós, mas pra elas mesmas. Estávamos colocando praticamente o avesso do que é normal neste mundo, que é utilizar a moeda para comprar a vida – até na hora de morrer”.
Em alguns casos, a reação verbal ou corporal era permeada de medo e angústias, conforme conta GYUW: “Em São Roque um senhor idoso estava passando e falamos ‘Pode chegar que está tudo de graça, fique à vontade’. Aquele senhor demonstrou como o ser humano está travado, robotizado e abobado neste mundo. Ele reagiu gritando: ‘O quê? De graça? Cês tão me enganando! Lorota!’. Saiu revoltado, achando que estava sofrendo alguma espécie de golpe. As pessoas estão tão sedimentadas no mundo cristalizado da compra e venda que uma pessoa de mais idade reage desta maneira agressiva e assustada.
Se você prepara isso apenas materialmente, você corre risco de receber socos, foices e pontapés como resposta. Se você prepara isso alinhado com suas forças interiores e as forças e hierarquias maiores, o risco é menor.”
GYUW
Chegou-se à conclusão que a melhor maneira de sensibilizar as pessoas era ficar em silêncio. “Se alguém pergunta, nós respondemos, mas não podemos ficar induzindo ou provocando algo, mesmo que seja com intenção pura. Cada um vai tomar o contato, chegar da maneira que pode. Isso é um momento espiritual: deixar que cada um entenda. Se eu percebo que a pessoa anseia por respostas, eu ajudo, mas não existe uma verdade única. Não adianta ficar explicando muito, cada um tem seu processo” – esclarece GYUW “Cada pessoa que chegar terá seu entendimento próprio. Não tem como unificar este entendimento. Muitos acreditam que as coisas têm que ser entendidas por todos, que deve haver uma uniformidade de pensamento. Isso é um equívoco pedagógico desta ciência que não entende que nós não temos que uniformizar nada. Apenas coloca-se aquilo que é essencial e cada um entende como pode. Isto vai servir para cada um de uma maneira diferente”.
Pode chegar alguém com uma caminhonete, levar tudo embora e abrir uma banca para vender as coisas. Nós não questionamos isso, estamos aí para servir a uma força maior. Se alguém fizer isso, o carma é dele, não é nosso”.
GYUW
Em outra ocasião, um pedestre viu a Banca de Graça e perguntou se poderia doar um computador que estava em pleno funcionamento. A doação não durou nem 5 minutos parada em cima da banca. Quem levou foi uma pessoa que estava passando de carro na rua. Ela viu, fez a volta de carro, parou no estacionamento do supermercado, atravessou a rua, veio à banca e perguntou: “É verdade que aqui tá tudo de graça? Então eu vou levar este computador”. GYUW retrucou simplesmente dizendo “Bom caminho”. Alguns questionaram a atitude de GYUW, dizendo: “Mas essa pessoa nem interagiu com a idéia da banca, não quis saber a filosofia. Ela foi utilitária, pegou porque precisava.” GYUW respondeu que entende isso da seguinte maneira: “O humano tem a capacidade de julgamento da justiça maior? Alguns se iludem que tem. Mas quem sabe o que é justiça num nível cósmico sabe que não temos esta capacidade. Trabalhamos com a idéia de que tudo será ofertado, tudo vai ser compartilhado. Não cabe a nós fazer este julgamento”.
Algumas pessoas começaram a querer colocar critérios. Mas qual o sentido de fazer uma Banca de Graça com limites? A Graça não tem limites nem regras. Ela é infinita. Buscamos ser coerentes com isso”.
GYUW

Desapego gera abundância

A filosofia típica de quem faz a doação é assistencialista e segue a lógica de “limpar as prateleiras e tirar o lixo de casa”. Mas a Banca de Graça busca ir além desta proposta, inspirada por mestres espirituais que afirmam: “doe aquilo que você usa e exerça o desapego”. Fundamentada na prática da renúncia consciente, a Banca de Graçapropõe a doação do que é útil, e não daquilo que não se usa mais e entulha a casa – pois isso nem deveria existir! ABanca de Graça nos desafia a aprender como fazer a energia circular e abrir mão. “Solicitamos que só seja doado o que estiver em boas condições de uso”, explica GYUW.
Dentro de um entendimento utilitarista de mundo, a Banca de Graça seria um empreendimento fadado ao fracasso: mais cedo ou mais tarde todas as doações acabariam e não haveria mais o que oferecer.
Mas a prática demonstrou o contrário. A orientação filosófica da Banca de Graça agia sobre as pessoas. A energia do desapego se manifestava. Sempre havia mais doações sendo trazidas para a banca do que sendo levadas. Quando se encerravam as atividades, sempre havia novas oferendas.
Tem que colocar na roda e deixar a energia fluir. A idéia do compar-trilhar é justamente que esse compartilhamento é uma trilha, um caminho evolutivo da humanidade. O infinito caminho na trilha compartilhando.”
GYUW

Fogueiras públicas

No núcleo gestor surgiu um problema: o que fazer com o excesso de doações gerado pelo desapego e compartilhamento? O grupo fez um levantamento de possibilidades para solucionar o impasse: conseguir um espaço para estocar as doações, fazer parcerias com comunidades mais pobres, ou ainda procurar uma tribo indígena próxima à cidade. Mas quando se trabalha com a consciência do desapego, faz sentido levar bugigangas a outras localidades? Por coerência, os organizadores da Banca de Graça decidiram oferecer a estas comunidades a opção de aceitar ou não as doações.
Mas inevitavelmente, o problema do espaço para armazenar tantas doações voltaria a afligir o núcleo gestor. A saída proposta por GYUW foi “fazer fogueiras públicas nas esquinas das grandes cidades. Queimar as bugigangas que esta sociedade desenvolvimentista producionista consumista capitalista economicista fez da Terra e das nossas vidas. Estamos tão atolados de tantas coisas… Mesmo os que são chamados de favelados e pobres. Quem trabalha em comunidades menos favorecidas já observou que a casa destas pessoas também está atolada de bugigangas. O que fizemos do planeta, da nossa vida? Criamos um amontoado de quinquilharias. E todo mundo quis isso. Todo mundo comprando sempre e achando que vai comprar mais. Estas fogueiras poderiam simbolizar que nós estamos repensando em direção ao simples”.
Para que isso ocorresse de forma sustentável, não seriam queimados plásticos ou produtos tóxicos. A permacultura traria a solução para este impasse: reaproveitar essas coisas, utilizando-as como parte interna de paredes e cobrindo tudo com barro ou superadobe. Existem, por exemplo, bioconstrutores e permacultores que fazem casas inteiras reaproveitando garrafas pet, pneus, embalagens tetrapak e fraldas descartáveis.

O necessário e o supérfluo

Destino típico das bugigangas da Sociedade do Consumo
A simplicidade é a chave para que possamos nos relacionar apenas com aquilo que é necessário, e não com o supérfluo. Paradoxalmente, o mais difícil é justamente discernir entre um e outro.
Cada pessoa é uma alma que está vibrando em um nível evolutivo de consciência”, explica GYUW. “Para algumas pessoas, bens como freezer, secador de cabelo, máquina de lavar louça e geladeira são necessários. Para outras não. Essa discussão tem parâmetros sagrados e espirituais para determinar o que é necessário para cada ser humano. Há mestres que dizem que, estando firmado em uma consciência espiritual, nada é necessário. Você não precisa de nada porque tudo está dado. O que eu tenho agora é o que eu preciso. Só que o que eu tenho é o que está manifestado. Não o que meu ego precisa correr atrás para adquirir. Não por necessidades criadas externamente, mas por contato interno. A busca é por uma vida de simplicidade”.

Minha experiência prática

Em 2006, durante o SABESS (Saberes Bioregionais: Ecodesign Para Sistemas Sustentáveis – Com-Vivência De Trocas), evento organizado em Águas Mornas (SC) por GYUW e amigos, eu tive o primeiro contato com o que seria o embrião da Banca de Graça: uma simples mesa cheia de coisas ofertadas. Eu fiquei meio chocado e não havia nem ao menos com quem interagir, pois na época GYUW ainda não havia refletido sobre a necessidade de mediação humana para facilitar o ato de compartilhar.
Muitas coisas que estavam na mesa me interessavam, mas eu ficava em conflito: pego ou não pego? Será que eu realmente preciso disso? Alguém considerou que isso deve circular. Será meu direito fazer esta energia materializada estagnar? Eu sentia que a responsabilidade era ainda maior por eu estar pegando algo de graça. Eu não tinha o direito de pegar isso se eu não fosse realmente usar. No fim, acabei não pegando nada e ainda deixei alguns objetos na mesa, estimulado pela proposta de desapego.
Em Junho de 2010, durante a elaboração deste artigo, resolvi colocar a mão na massa e realizar eu mesmo umaBanca de Graça. Para simplificar a tarefa, escolhi o “Jeito Simples” (Vide quadro anexo): selecionei utensílios em casa para exercer o desapego e abri uma canga em um encontro de trocas da extinta Rede Viva da Ilha de Floripa.
Os membros da rede de trocas aceitaram minha intervenção de maneira simpática e bem humorada. Feliz ou infelizmente, não consegui doar nada, apesar de muitas pessoas demonstrarem interesse por algum dos objetos que levei. Parece que a proposta do desapego repercutiu nos participantes do evento, talvez porque eles mesmos já estivessem sensibilizados a respeito do excesso de bugigangas que nossa sociedade instituiu e que todos nós acumulamos em casa. O fato é que acabei trazendo minhas doações de volta para casa. Até mesmo aquele livro da saga Crepúsculo que uma adolescente namorou, mas não levou!
Carreguei tudo por várias semanas, oferecendo em diversos lugares, até que consegui doar os artigos eletrônicos – mp3 player, webcam, máquina fotográfica, entre outros – para amigos próximos, livros para a Biblioteca da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e brinquedos de criança para o Serviço de Atendimento Psicológico da UFSC.

Subverta-se

Comece a pensar que a vida pode ser diferente. É simples. Basta apenas boa vontade. E organização. “Nós organizamos e está aqui” – diz GYUW –. “Imagine se todas as comunidades e bairros organizassem isso? Está sobrando. Quem não tem energia em casa parada, sobrando? Inclusive coisas úteis. Ficam lá paradas por 5 anos. `Um dia eu posso precisar´. De repente tem outra pessoa precisando agora. É comum pensarmos em uma desgraça ou eventualidade. Isso é o apego. Mas a lógica da fluidez da energia do universo é totalmente compreensível: você vai ter quando precisar, não precisa guardar. Amanhã, se você precisar, você vai ter. Você vai ter porque você precisou.” Cabe a nós facilitarmos este processo. A Banca de Graça vem no sentido de propagar uma mensagem muito simples: circule a energia.
Banca de Graça é uma transição, um ensaio, uma escolinha. A lição é que você dá forma ao seu mundo. Somos todos co-autores da realidade. Acredite que irá se manifestar. Nessa nova Terra que está surgindo não haverá mais privação. É o que os antigos chamavam de milagre.
A fome existe? Existe como percepção, porque há uma ignorância das massas. Existe a ignorância que leva à fome: as pessoas acham que precisam de moeda para comprar comida. Como existe um contingente de excluídos das melhores oportunidades econômicas, então esta massa fica com fome.
Banca de Graça traz a seguinte resposta: há fome porque há ignorância. Se a energia estiver circulando, não há fome porque o planeta é abundante. As sagradas e comestíveis ervas daninhas, como a trapoeraba, o trevo, a ora pronobis, estão aí, espontâneas, crescendo em qualquer terreno baldio que resista. Estes alimentos DE GRAÇA não são usados por ignorância. Assim, a Banca de Graça é uma proposta de expansão da consciência que tem a ver com a lógica divina. Ela está manifestada de forma natural em qualquer lugar.
A síntese da Banca de Graça é: desapego visando à circulação de energia. Seja esta energia financeira, material, ou abstrata. Se a energia está circulando, você não está perdendo nada.
Não é a lógica economicista da materialidade, não é o capitalismo que vai resolver os problemas do ser humano, como muitos irmãozinhos materialistas acreditam. Vai continuar na mesma se acharmos que a justiça é apenas distribuição de bens. As bugigangas acumuladas mostram que não é bem assim. O socialismo, comunismo – ou qualquer outro ismo que inventarem – vai continuar mantendo os mesmos bens, talvez um pouquinho pior porque todos teriam direito a todos os bens pela lógica da dignidade humana material, para quem acredita neste mito. Sei que muitos de nossos irmãos materialistas se arrepiam com uma constatação destas, mas temos que refletir sobre estas questões. É por isso que eu volto a bater nesta tecla: a Banca de Graça não é fruto de ranço do materialismo ou da piedade de tentar resolver problemas sociais ou econômicos. É uma questão espiritual: despertar para a lógica da circulação livre da energia e o desapego.“Não há revolução possível na humanidade com tantos egos democráticos, como querem acreditar nossos irmãos dos partidos políticos. A Banca de Graça traz o questionamento da própria democracia. Ela não é democracia. Não entenda a banca como democratização de bens e serviços. É outro ponto que está além do ego. Democracia é do ego. Num nível energético superior não existe democracia, existe fluidez de energia.”
GYUW

Para saber (e fazer) mais

ALI’nha’MENTO SOLAR-Cristal/ESPIRITUAL – “FRUTOS DE GRAÇA” CÓSMICA  : blog do GYUW com textos sobre a Banca de Graça, as sagradas e comestíveis ervas daninhas e muito mais.
Freecycle : uma rede de trocas online com atuação global (Infelizmente ainda opera pelo velho paradigma da troca, não estando completamente alinhado com a proposta da doação incondicional

Faça você mesmo: Banca de Graça

Até hoje, todos os grupos que realizaram Bancas da Graça foram compostos por pessoas livres que optaram por se encontrar e realizar uma ação coletiva desvinculados de qualquer instituição formal. O conceito é simples e requer apenas uma pequena dose de boa vontade. Alguns viabilizam doações, outros conseguem uma estrutura e marcam o horário para expor tudo na rua. Qualquer lugar é possível: no calçadão de uma capital, em uma comunidade, na festa de uma igreja. Independente de ser um espaço público ou fechado, se for uma atividade rotineira a coisa se espalha.
 Jeito simples: de um grão de areia forma-se a praia
1- Escolha o local
2- Abra uma canga ou esteira de palha no local escolhido;
3- Coloque uma plaquinha com os dizeres: “Banca de Graça”;
4- Diga: “Aqui é a Banca de Graça. Se quiser deixar alguma coisa aqui, fique a vontade. O próximo que passar e quiser levar, leva”.
Jeito elaborado: o sertão vai virar mar
1- Monte um grupo gestor;
2- Faça uma arrecadação;
3- Defina a data* e periodicidade**;
4- Consiga uma barraca de madeira ou qualquer estrutura para expor as doações;
5- Imprima cartazes com reflexões e orientações para não precisar repetir a mesma coisa diversas vezes;
6- Faça a Banca de Graça conforme decidido em grupo.
*É recomendável não fazer divulgação pública para não gerar expectativas ou confusão.
**Se houver periodicidade, sugere-se que a banca aconteça rotineiramente, mas seu local mude constantemente para evitar excesso de doações ou tumulto.
Artigo publicado originalmente na MobGround.net. Reproduzido mediante permissão, de acordo com a licença Creative Commons.

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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Curso de Alimentação Saudável e Plantas Medicinais


Curso de Alimentação Saudável e Plantas Medicinais.
PRIMEIRO MÓDULO 02, 03 e 04 de Novembro, Pedra do Sabiá, Itacaré, BAHIA

Sabemos que manter uma alimentação consciente é um passo fundamental para alcançar o equilíbrio pessoal, preenchendo nossa vida de energia positiva e produtiva. Como complemento, na busca da saúde e da harmonia, a Natureza criou uma infinita farmácia verde e viva com poderosas plantas medicinais e superalimentos.

Conhecer este tipo de alimentação e plantas medicinais é uma das missões originais e primordiais da humanidade em sua evolução espiritual.

Para empoderar e celebrar esta sabedoria milenar, nos reuniremos no dia 02 de Novembro (aproveitando o feriado) para a abertura do Curso Intensivo Teórico e Prático de Alimentação Saudável e Plantas Medicinais.

Através desta vivência, você poderá praticar uma alimentação mais consciente e aprender a reconhecer as principais plantas que ajudarão a melhorar sua saúde e resgatar o equilíbrio. Também experimentará fazer seus próprios remédios naturais. E o mais importante, terá a possibilidade de reconectar seu espírito com a essência curativa da Natureza.

O Curso:

Este curso tem como objetivo principal transmitir aos participantes, de maneira dinâmica e interessante, a importância do maravilhoso mundo da alimentação saudável e as plantas medicinais na saúde humana e planetária.

Vamos a abordar a importância de uma alimentação consciente para promoção da saúde e aprender na prática, como funcionam os componentes dos alimentos e das plantas evidenciando seu papel na prevenção e cura de doenças.

É um curso voltado para pessoas que se interessam pelo bem-estar e qualidade de vida adquiridos através de uma alimentação equilibrada e saudável, e aos que trabalham ou desejam trabalhar no ramo de nutrição e saúde.

Este é um convite para o aprendizado de conhecimentos fundamentais no intuito de desenvolver sua capacidade de autocura. Tudo isto através da escuta atenta, a troca de idéias, a preparação coletiva de nossos alimentos, a degustação de plantas medicinais, a preparação de remédios naturais, práticas meditativas, exercícios equilibrantes e a celebração de uma vida mais natural.

Este curso foi desenhado para que os participantes consigam tirar o máximo proveito incorporando as informações de maneira holística e empírica - "aprender fazendo" - gravando a vivência em cada célula.

O Primeiro Módulo:

No primeiro módulo teremos três dias para vivenciar de maneira integral três temas indispensáveis para alcançar um ótimo nível de saúde e energia:

1.Dia DESINTOXICANTE: No primeiro dia nos dedicaremos aos alimentos e às plantas que nos ajudam a desintoxicar nosso organismo. Também praticaremos a depuração mental mediante técnicas de Respiração Consciente, Yoga e Meditação.
2.Dia IMUNOESTIMULANTE: No segundo dia vamos aprender como aumentar nossas defesas naturais através do uso de alimentos e plantas que estimulam o funcionamento de nosso sistema imunológico. Também praticaremos técnicas que acordam nosso poder de cura interior através de posturas corporais especiais e visualizações guiadas.
3.Dia ENERGIZANTE: Para encerrar o primeiro módulo de maneira feliz e produtiva vamos nos encher de energia com superalimentos e poderosas plantas. E, através da criação de um charmoso jardim orgânico nutricional e medicinal, toda essa energia voltará para a terra.
Para aqueles que ainda tiverem disposição, no fim da tarde, daremos um passeio pela Mata Atlântica para a reconexão com a Pachamama.

No primeiro módulo do curso também serão tratados os seguintes temas:

1. Alimentação Consciente para alcançar o bem-estar psico-físico.
2. Importância das plantas medicinais na saúde humana.
3. Reconhecimento e uso de Alimentos e Plantas Desintoxicantes.
4. Reconhecimento e uso de Alimentos e Plantas Imunoestimulantes.
5. Reconhecimento e uso de Alimentos e Plantas Energizantes.


Também serão realizadas as seguintes práticas:

1. Oficina de Remédios Naturais.
2. Oficina de Cozinha Medicinal.
3. Degustação de Infusões Medicinais.
4. Criação de um Jardim Orgânico Nutricional Medicinal.
5. Passeios pela Natureza.
6. Yoga, Meditação e Técnicas de Respiração.
7. Rituais de Limpeza.


SAIBA MAIS
http://aterracura.wordpress.com/programa


Os Facilitadores:
- Dr. Esteban Andrejuk / Medicina Natural e Nutrição Evolutiva
- Cláudio Alfaro / Agricultura Orgânica e Permacultura
- Mayra van Prehn / Ashtanga Yoga


O Espaço:

Temos a honra de abrir nosso curso num local muito especial, pela sua beleza e sua exuberante natureza.

A Pedra do Sabiá é um espaço de acolhimento e de repouso para a alma que oferece práticas meditativas, terapêuticas, educativas, corporais e artísticas para ajudar nosso corpo, mente e espírito a se conectar com nossa parte mais essencial e sagrada: nosso Ser.

Este espaço encontra-se em uma fazenda de produção agroflorestal de cacau orgânico. A Pedra do Sabiá é também uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) da Mata Atlântica, com uma biodiversidade excepcional (uma das mais importantes do planeta).

A Fazenda Pedra do Sabiá está localizada no Sul do Estado da Bahia, às margens do Rio de Contas, próximo a Itacaré (15 Km).

SAIBA MAIS
http://aterracura.wordpress.com/espaco



O Investimento:

O valor é de R$ 350,00 e inclui todas as atividades do primeiro módulo, hospedagem e alimentação completa por três dias.

Uma percentagem de seu investimento será destinada para cobrir integralmente 4 bolsas que serão oferecidas a pessoas nativas da região - potenciais Promotores de Saúde Comunitária Participativa.

Os estudantes de faculdades relacionadas com as áreas de Saúde e Nutrição terão 25% de desconto.

A participação no Primeiro Módulo deste curso, garante sua vaga no Segundo Módulo em Janeiro.

SAIBA MAIS
http://aterracura.wordpress.com/valor



Mais informações e inscrições através do e-mail:
aterracura@gmail.com

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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Agradecimento: Festivais Culturais em Itacaré 2012

Agradecemos a todos que compareceram ao I Festival Cultural Reggae no Mato, ao VI Festival Solidário do Grupo G'ana e ao I Reggae na Praia: Barco Cultural que aconteceram em Itacaré-BA nos dias 21, 22 e 25 de Julho de 2012.

Esperamos que as mais de mil pessoas que passaram por lá nos dois dias tenham gostado.

Foram eventos maravilhosos que deram uma amostra do que acreditamos e das nossas intenções positivas para Itacaré.

Se Jah abençoar, no verão tem mais Banda Cultivo na Bahia!!

Confira alguns momentos desse circuito de festivais de inverno:








Realização: Coletivo Cultural Reggae no Mato

Patrocínio: Fundação Graça Muniz e Instituto de Turismo de Itacaré (ITI).

Apoio: Atitude Positiva, Somar Contabilidade, Casarão Verde Hostel, Restaurante Casa de Taipa, Restaurante Manga Rosa, Restaurante Naturalmente, Restaurante Oasis.

Turismo Carbono Neutro: Nós neutralizamos.

Cabana Corais - Praia da Concha/Itacaré
www.cabanacorais.blogspot.com 

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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Reggae na praia da Concha, Itacaré, Bahia


Aldeia à margem do Rio de Contas apresenta:

CULTIVO & ETHIOPIAN FEDERATION nesta quarta-feira, dia 25 de julho, às 15h!

DJ BANZAI também estará presente soltando as pedras no entardecer!

Entrada Livre! Só chegar!

Realização: Coletivo Cultural Reggae no Mato

Patrocínio: Fundação Graça Muniz e Instituto de Turismo de Itacaré (ITI).

Apoio: Atitude Positiva, Somar Contabilidade, Casarão Verde Hostel, Restaurante Casa de Taipa, Restaurante Manga Rosa, Restaurante Naturalmente, Restaurante Oasis.

Mais informações:
http://www.reggaenomato.com.br/
gabrieldread@reggaenomato.com.br
(73) 9925 0737 (VIVO)
(73) 8129 8060 (CLARO)

Turismo Carbono Neutro: Nós neutralizamos.

Cabana Corais - Praia da Concha/Itacaré
www.cabanacorais.blogspot.com
Tel: (73) 3251 2547.
E-mail: cabanacorais@yahoo.com.br

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domingo, 29 de maio de 2011

Reggae em Sampa: You & Me on a Jamboree!


A galera do You & Me on a Jamboree é especialista em raridades do Ska, Rocksteady, Early Reggae, Calypso, Dub, Soul e do Roots Reggae, claro!

Eles organizam frequentemente festas em São Paulo, base do grupo, mas já levaram seu Jurassic Sound system até pra Jamaica pra tocar raridades que nem os proprios jamaicanos conheciam.

Eu acompanho o trabalho dos caras pelo blog http://youandmeonajamboree.com que sempre oferece downloads de raridades com resenhas e uma sólida crítica. O podcast deles também é genial.

Mas agora finalmente terei a oportunidade de ver o trabalho dos caras ao vivo! E justamente numa data especial:


O maior colecionador de Reggae do Brasil Direto de São Luis do Maranhão: SERRALHEIRO na Jamboree dia 4 de junho!

Depois de uma Jamboree histórica com o retorno do lendário Jackie Bernard aos palcos, a You&Me tem o prazer de anunciar mais uma festa para se lembrar para o resto da vida:

Direto de São Luiz do Maranhão a Jurassic Sound recebe, O Serralheiro.

Com quase 70 anos de idade, Serralheiro foi um dos primeiros seletores de reggae do Brasil com mais de 50 anos colecionando discos.

Serralheiro já viajou dezenas de vezes à Jamaica, Inglaterra e Estados Unidos, tudo em busca de mais pedras.

Dono de uma das mais "fodas" radiolas Maranhenses a Canarinho voz de ouro, Serralheiro foi batizado por Fauzi Beydoun de "O magnata do reggae", ou seja uma verdadeira lenda do cultural Reggae/Radiola do nosso país.

No lounge Pica Pau e seu Kulcha Sounds recebe pela primeira vez na Jamboree, Quilombo Hi Fi que vem apresentar seu sólido trabalho moldado no melhor estilo Uk reggae culture!

Ou seja, mais uma edição histórica da festa que sempre busca inovar e presentear os frequentadores com o melhor quando o assunto é música Jamaicana!

Teatro Coletivo

Rua da Consolação 1623 (Em frente ao cemitério)

4 de junho a partir das 23H

15$ na lista (Festajamboree@gmail.com)
18$ na porta - Aceita cartão de débito

Eu vou! E você?


Só pra dar um gostinho, segue aí uma raridade direto da galera do Jurrassic Sound System You&Me on a Jamboree: A lenda, Jackie Bernard, ex-vocalista dos The Kingstonians, que estava esquecido até na Jamaica, e foi ressuscitado pelos brasileiros que mais entendem de early reggae!

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cannabis Sativa: manifesto pelo debate saudável


Discutir a legalização da cannabis sativa no Brasil: bicho de 7 cabeças

Andei refletindo sobre a marcha da liberdade, a marcha da maconha e o debate que estes movimentos estão gerando. Reivindicamos a liberdade de expressão. Nosso intuito é promover o debate a respeito da cannabis sativa, uma simples erva que foi proibida há menos de um século nos países aliados aos EUA. Isso foi uma imposição do imperialismo estadunidense, motivada por interesses econômicos e de controle da liberdade da população.

Essa história de marcha da Maconha, Bob Marley, "Ei polícia maconha é uma delícia"... isso nunca vai ser levado a sério pela sociedade, nunca promoverá o debate racional que precisamos para transformar a realidade brasileira.

O fato é que a lei nunca será mudada se a mentalidade das pessoas continuar como está. A grande maioria dos brasileiros (vamos encarar a realidade) é contra a maconha.

Sabemos que os argumentos contra a legalização da cannabis e do cânhamo são baseados em preconceitos sem fundamento, em opiniões e dados falaciosos. Isso é explicitamente fomentado pela mídia de massas.

Mas a maioria das pessoas assiste TV e acredita no que ela diz. Além do mais, já são três gerações que viveram suas vidas inteiras com o proibicionismo mandando.

Essas pessoas não tem como saber que a cannabis já foi difundida e utilizada de forma medicinal e espiritual por milênios em todo o globo terrestre, além de ter sido empregada como matéria prima para as mais diversas indústrias, tratando-se de um tipo de cultivo que reduziria em muito o impacto ambiental dos materiais utilizados atualmente.

Achamos super engraçado ficar gritando "Ei delegado legalize o baseado"... Consideramos uma honra e uma homenagem estampar a figura de Robert Nesta Marley nas nossas bandeiras e camiseta...

Mas ainda somos conhecidos como "maconheiros" (com toda a carga negativa que o termo traz).

Nada disso vai promover a discussão que antecede a mudança da lei.

Maturidade é necessária para que a GANJAH, esta erva sagrada, a CANNABIS SATIVA, com seus poderes medicinais de cura, e o CÃNHAMO, material industrial ecológico, renovável e barato, sejam aceitos por nossos irmãos "caretas".

O debate precisa amadurecer dos dois lados. NÓS, que estamos insatisfeitos e que optamos por colocar as cartas na mesa, temos o DEVER de elevar o nível da discussão.

Chega desse papinho de maconheiro muleque, de usuário compulsivo bandido. Tá na hora de crescer e virar cannabista, ativista pelo uso consciente de uma erva aliada do ser humano há 50 mil anos.

O que acham?

Quem concorda, recomendo que se informe onde acontece a Marcha da Maconha mais próxima da sua casa, em: http://marchadamaconha.org

E participe também da Marcha da Liberdade que acontece Em São Paulo, no Vão Livre do MASP, sábado que vem, dia 28 de maio de 2011, às 14hs. Mais informações:
http://www.marchadaliberdade.org/2011/05/1ª-marcha-da-liberdade/

Assine a petição exigindo que os chefes de Estado e a ONU acabem com a guerra às drogas (da última vez que olhei já eram 308 mil assinaturas):
Avaaz.org - Acabem com a guerra às drogas

Se você tiver facebook, confirme também sua presença nos eventos relacionados:

Liberdade de Expressão e direito de discutir a legalização da Cannabis

Marcha da Liberdade

Agora, se você não tem coragem de assumir e sair do armário... então, meu amigo, este aqui é o seu lugar.

Artigo publicado originalmente no blog UsuárioCompulsivo. Reproduzido mediante permissão, de acordo com a licença Creative Commons.

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Psicologia somática: palestra e vivência em Floripa

Cartaz de divulgação (clique na imagem para ampliar)

Dia 7 de Maio (próximo sábado) acontece uma palestra e vivência sobre psicologia somática em Floripa.

O curso ABCΨΣ de psicossomática é um processo pedagógico e terapêutico que promove:

- estudo teórico e prático da psicologia somática

- desbloqueio da criatividade e expressão através de exercícios que trabalham voz, gestualidade, postura, andar, respiração, sensorialidade, agressividade e afetividade

- desenvolvimento das inteligências intrapessoal (conhecer a si mesmo, ter capacidade de autoanálise, enxergar o espelho que os outros refletem sobre nossas atitudes) e interpessoal (perceber o outro, conseguir se colocar em seu lugar, compreendê-lo na relação consigo mesmo e comigo – estudar, buscar conhecer a dinâmica das relações entrepessoas)

- capacitação para análise caracterial ou psicossomanálise (leitura corporal objetivada)

A a "psicossomanálise" é uma técnica terapêutica desenvolvida por Fabio Veronesi que trabalha com os fundamentos da psicanálise freudiana e lacaniana, derivando dessa base no mesmo sentido trilhado por Wilhelm Reich, mas se estabelecendo antes do extremo a que ele chegou com a vegetoterapia caracterio analítica. Tem componentes de autogestão, bioenergética, caracteriologia, e psicossomática.

Para saber mais:
http://cursoabcpsigma.wordpress.com
http://sites.google.com/site/abcpsigma
http://fabioveronesi.wordpress.com

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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Banca de Graça no IV Bazar Coisas de Mãe


Desapegue-se

Abra espaço para o novo e recicle energias!
Separe o que você tem que está legal mas não está sendo usado.
Ofereça a outras pessoas.
Pegue o seu novo, que alguém também está ofertando.
Traga para a banca aquilo que você não está usando, mas que pode ser útil para um amigo. E venha ver se há algo útil pra você também.
É só chegar e presentear!
É só chegar e ser presenteado!

É a BANCA DE GRAÇA que acontece no
IV Bazar Coisas de Mãe

Convite oficial do IV Bazar (clique na imagem para ampliar)
Acessórios femininos e infantis, vestuário infantil, decoração, slings, livros, brinquedos e bonecos, cookies e cupcakes, alimentação saudável, utilidades para casa, e muito mais!
Atividades para toda a família em um local lindo e agradável.

O que? IV Bazar Coisas de Mãe - Especial de Páscoa
Quando? Sábado, 16/04/2011 das 13h às 19h
Onde? SESC Cacupé. Estrada Haroldo Soares Glavan, 1670.

Saiba Mais sobre o Bazar Coisas de Mãe

O Bazar Coisas de Mãe é um espaço onde mães empreendedoras podem expor seus trabalhos, produtos e serviços na companhia de seus filhos. São mulheres que redirecionaram, de alguma forma, suas carreiras para evitar a separação dos filhos em idade precoce e, assim, podem trabalhar na companhia das crianças, criando produtos lindos, originais e úteis.

Acesse também:
Blog: http://bazarcoisasdemae.blogspot.com/
Loja Virtual: http://www.bazarcoisasdemae.com.br/
Facebook: http://www.facebook.com/profile.php?id=100002194251300
Twitter: @bazarvirtual

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Semana Cultural Guarani e Educação Escolar Indígena

6a Semana Cultural Guarani e 2a Conferência da Educação Escolar Indígena Itaty:
Nhandereko Tenonde Rã - O Futuro da Nossa Cultura
Palestras, debates, oficinas, comida típica, apresentação do coral, exposição de artesanato, canto e dança, pintura corporal e jogos guarani.
Começa na terça-feira, 12 de Abril de 2011, a 6a Semana Cultural Guarani e 2a Conferência da Educação Escolar Indígena Itaty, na Aldeia Guarani Itaty (Terra Indígena Morro dos Cavalos, Palhoça - Santa Catarina).

O evento é organizado pelas lideranças da etnia indígena guarani, com apoio da Orionópolis Catarinense, do departamento de eventos da Unisul e do projeto "Povos Originários" (grupo de estudos da UNISUL conhecido também como “Revitalizando Culturas”).

O encontro tem um objetivo endocultural, como explica o coordenador do projeto “Povos Originários”, Jaci Rocha Gonçalves. “Isso é um estímulo para que a cultura se fortaleça em si mesma, possa firmar seus valores”. O coordenador ainda ressalta que o evento tem a organização do povo indígena. “A pauta do evento são eles que definem, eles são muito bem organizados, cada um tem a sua função”.

Esse ano o tema do evento será o “Nhandereko Tenonde Rã”, em português “O Futuro da Nossa Cultura”. Durante a semana serão realizados vários debates, rituais da cultura guarani, exposição do artesanato e de toda a arte guarani, além da “2ª Conferência da Educação Escolar Indígena Itaty” onde será discutida a organização do currículo guarani. Além de um grande almoço com a culinária típica do povo guarani no domingo, dia 17 de abril.

Será realizada também uma reunião para a aldeia de Itaty se unir ao COPRIP (Conselho Pela Igualdade Racial Palhocense).


Programação

12/04 (terça-feira)
9h às 12h - Abertura com o coral, palestras e debates sobre educação infantil (com comunidades indígenas, com sábio e com a Secretaria da Educação Municipal)
14h - Continuação dos debates e análise de propostas

13/04 (quarta-feira)
9h às 12h - Oficinas sobre educação infantil com alunos da escola e a comunidade
14h - Palestra sobre a legislação na educação indígena e elaboração de propostas da comunidade Itaty e demais comunidades

14/04 (quinta-feira)
9h às 12h - Discussão sobre as séries iniciais e ensino fundamental (com a Secretaria da Educação do Estado e o Diretor da GERED)
14h - Peça de teatro sobre meio ambiente
15h - Discussão sobre o ensino médio e o ensino de jovens e adultos

15/04 (sexta-feira)
9h às 12h - Discussão sobre educação escolar Guarani
14h às 17h - Elaboração de documentos
20h - Cerimônia na Opy

16/04 (sábado)
9h às 12h - Exposição do artesanato com oficinas de cestaria e bijuteria Guarani
14h - Canto, dança e jogos

17/04 (domingo)
9h às 12h - Exposição do artesanato com oficinas de cestaria e bijuteria Guarani
12h às 14h -  Grande almoço tradicional Guarani
14h - Canto, dança e jogos

18/04 (segunda-feira)
9h às 12h - Discussão com a FUNAI sobre a desintrusão da Terra Indígena
14h - Reunir informações sobre o PACIG e o DNIT

19/04 (terça-feira)
9h às 12h - PACIG e túnel do Morro dos Cavalos
15h - Encerramento
20h - Cerimônia Opy

Público alvo
Estudantes, profissionais e comunidade, interessados em conhecer a cultura indígena Guarani

Inscrições
Aberto ao público.
Pede-se a colaboração de um quilo de alimento não perecível (evitar arroz e feijão) como troca pela hospitalidade do povo guarani.

Doações
Para fazer doações em dinheiro a conta é no banco do Brasil, ag: 2383-3, conta: 17601-x.

Como chegar
BR-101, km 235, sentido Sul, após a Enseada de Brito, Palhoça (SC).
É necessário ficar na pista da direita e reduzir a velocidade. Ao passar pela enseada, deve-se virar à direita para cruzar a BR-101 até a aldeia.

Contato
(48) 3242 4426 (escola)
(48) 3242 4692 (cacique)
jaci.goncalves@unisul.br (Jaci Gonçalves)
Peju Katu Nhemombaraete!
(Venha se fortalecer)
Cartaz de divulgação do evento (clique para ampliar)

Fonte: Unisul Hoje .:. Revista Ciência em Curso .:. Revitalizando Culturas

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

I Feira de Graça de Florianópolis


Estamos organizando junto com o pessoal da Rede Viva da Ilha a I Feira de Graça de Florianópolis.

Será dia 3 de abril - domingo
Comemorando a Lua Nova e um Novo ciclo.

Nossa proposta é servir um almoço vegetariano as 12h30 e as 14h30 iniciar a Feira da Graça e finalizar com uma breve apresentação do Coral da Ilha.
Local: Trindade - FLP/SC - Casa do Pinheiro

Como funciona uma feira de graça?


Fundamentada na prática da renúncia consciente e na simplicidade de proporcionar ambientes mais saudáveis e coerentes, a Feira da Graça nos desafia a aprender como desapegar do excesso e fazer a energia circular. Propomos a doação daquilo que está em bom estado e que sentimos que outras pessoas poderiam fazer um melhor uso.
Porque as coisas só se tornam "entulhos” quando estão no lugar errado na hora errada. É um exemplo prática da economia da dádiva.

A Feira da Graça funcionará no dia 3 de abril na casa do pinheiro como um entreposto de doações/presentes/oferendas. Qualquer pessoa pode doar ou pegar para si qualquer coisa. Não é preciso trazer nada e não há obrigação de levar nada.

Por bom estado nós entendemos que os objetos ofertados devem estar sem manchas, rasgos ou defeitos que comprometam sua utilidade ou beleza!

Eventuais excessos serão encaminhados para doação. Caso você conheça algum lugar/instituição para indicar que esteja realmente precisando, entre em contato!

“Quem guarda em casa aquilo que a outros é necessário, esse é um ladrão” – Mahatma Gandhi

Esperamos por vc!
Leia o relato da banca de graça que aconteceu no Bazar Coisas de Mãe.

Em União

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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

BioIntegração: Vivências de (re) conexão à teia da vida

A Ecovila Terra Una propõe um outro carnaval, com vivências de reconexão com nosso ser mais elevado. O preço também é bem elevado, infelizmente.

Utilizando uma abordagem vivencial, serão realizadas atividades práticas, dinâmicas e exercícios lúdico-artísticos que promovam a integração humana aos fluxos e elementos naturais, investigando temas como:

  • Cooperação e Parceria
  • Redes e Visão Holística
  • Ciclos Naturais e Ritos de Passagem
  • Diversidade e Resiliência
  • Ecologia Profunda
  • Bioconstrução
  • Produção Ecológica de Alimentos
  • Alimentação e Vegetarianismo
  • Corpo e Saúde
  • Os 5 Elementos
  • Arquétipos Masculino e Feminino
  • Ecovilas e Comunidades Intencionais

5 a 13 março na ECOVILA TERRA UNA

APA da Serra da Mantiqueira, Liberdade/MG


20 VAGAS

INSCRIÇÕES ATÉ 25 DE FEVEREIRO

Investimento: R$ 590,00 em Camping /R$ 650,00 em quarto coletivo.

Interessandos, entrem em contato com:

Ecovila Terra Una
ecovila@terrauna.org.br

www.terrauna.org.br

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Skol Praia e a especulação imobiliária no Campeche

Florianópolis: as belezas do sul da Ilha da Magia estão com os dias contados
(Imagem: Gabriel Dread)

A praia do Campeche e o sul de Floripa como um todo estão sofrendo um processo de degradação ambiental e cultural por imposição de grandes corporações e empreiteiras que almejam lucro sem o menos respeito pelas leis ambientais e tradições locais, enquanto as autoridades locais incentivam o "empreendedorismo" e o "desenvolvimento" (leia-se: maior arrecadação de impostos e outros incentivos menos lícitos por parte das empresas) em Florianópolis.

Para "celebrar" a destruição da região, o Skol Praia elegeu o Point do Riozinho como base de suas operações no verão, alimentando as ilusões dos turistas desavisados e atraindo ainda mais pessoas para um local sem a menor estrutura para atender tanta gente. Ben Harper, Donavon Frankenreiter e Tom Curren, músicos de renome internacional, provavelmente nem imaginam que sua imagem está sendo associada a tamanho desrespeito com os manezinhos da ilha.

Dando sequência ao debate, publicamos hoje um texto da jornalista da libertação Elaine Tavares, do blog Palavras Insurgentes, que remonta às origens do bairro para mostrar que o avanço da Babilônia sobre o bairro é um processo recente e ainda reversível.

O Campeche exige respeito ao seu modo de vida

Por Elaine Tavares*

O Campeche, até os anos 70 do século XX foi um pacato reduto de famílias descendentes de açorianos, dadas à pesca, à agricultura de subsistência e à criação de gado. Nos anos 20, por ser rota de passagem da iniciante aviação transcontinental, entrou para a história como lugar de pouso dos aviões que seguiam para a Argentina, tendo sido criado ali um campo de aviação. Dentro de um destes aviões vinha, amiúde, o conhecido Saint-Exupéry, autor do imortal livro “O Pequeno Príncipe”. Por conta deste visitante ilustre, que acabou criando laços com uma das famílias locais, do patriarca Deca Rafael, o bairro é cheio de alusões à vida e à obra do escritor.

Nos anos 80, com o impulso das migrações de famílias vindas do interior de SC e de outros estados, o bairro cresceu, mas ainda mantendo a vida simples e pacata, com boa parte de suas ruas de areia e praia de beleza exuberante. Sempre foi um contraponto ao norte urbanizado, reduto de turistas. Essa peculiaridade fez florescer no Campeche e arredores um forte movimento comunitário que passou a exigir da municipalidade demandas que dessem conta da manutenção deste estilo de vida na região. Foi ali que teve vez a proposta do primeiro Plano Diretor pensado diretamente pelos moradores, que definia esta região do sul como um espaço de moradia e de vivência comunitária, sem o exagero dos espigões, dos grandes empreendimentos turísticos, da exploração imobiliária e da destruição da natureza.

Essa movimentação garantiu que a comunidade crescesse de forma mais lenta, vigiada de perto pelas gentes e pelos movimentos populares, alertas às tentativas de destruição. Mas, agora, na primeira década do século XXI, novas ondas de migrações, acompanhadas das ações de empreiteiros, começaram a mudar a paisagem e a vida do lugar. Empreendimentos de grande porte pipocam por todo lugar. Manipulando as leis ou mudando-as para seu benefício, nas famosas alterações de zoneamento patrocinadas por vereadores mal-havidos, são construídos grandes prédios que impactam de forma brutal a vida do bairro, desde a caótica mobilidade urbana até a falta de água. Estas questões já apareceram no novo processo de discussão do Plano Diretor vivido pela cidade há quatro anos e que acabou, abruptamente, virando em nada, com a prefeitura preterindo a proposta popular por outra formulada por um instituto privado.

Em 2010, a mídia florianopolitana, também ao sabor de gordos patrocínios, criou a fantasia de um recanto de paraíso, o chamado “riozinho”, que é um espaço na praia do Campeche onde deságua um pequeno rio local. Ali virou o ponto da temporada, com a presença de artistas globais e outros “ilustres” endinheirados. Este ano, o empreendimento que se criou ao lado do rio Rafael alugou parte das dunas – que tem sob seu poder - para a poderosa Skol, que anuncia shows de grande porte para o local. Com isso, a comunidade, retomando a luta travada desde os anos 80, tem denunciado as irregularidades e procura conscientizar os moradores para que mantenham a vigilância sobre a forma de vida que desde tempos muito remotos se decidiu empreender naquele lugar.

Desde o ano passado a comunidade observa um crescimento exacerbado que deverá provocar grandes impactos e, por conta disso, decidiu empreender novas mobilizações em defesa do seu modo de vida. Na última quarta-feira, representantes do movimento popular, que é bastante forte no Campeche, se reuniram e listaram os seguintes problemas a serem enfrentados:

1 - O processo do Plano Diretor participativo iniciado pelo prefeito Dário Berger colocou a comunidade, durante quatro anos, a pensar e organizar a vida local. Encerrado autoritariamente, abriu espaço para que os grandes empreendimentos começassem a conseguir licenças para construções de grande porte colocando em risco a sustentabilidade da região que tem um ecossistema frágil de dunas e restinga, não oferece saneamento básico, tem pouca reserva de água e sofrível mobilidade urbana, com ônibus em intervalos muito longos, além de poucas linhas em circulação. Também no que diz respeito aos caminhos que levam ao centro da cidade, a situação é muito ruim uma vez que há apenas uma saída, ocasionando infindáveis engarrafamentos.

2 – Um exemplo desta ocupação irracional é o projeto Essence, da empresa RODOBENS, que se anuncia na cidade como um lugar de sonhos. O condomínio está sendo erguido praticamente em cima das dunas. São 14 prédios de quatro pavimentos cada um, com garagem subterrânea e ático, o que configura, na verdade, seis andares. No total são 500 novos apartamentos que devem adensar a região com mais mil pessoas. A garagem do prédio, feita no subsolo, é uma armadilha perpétua, uma vez que a área onde está construída é inundável e certamente sofrerá com as chuvas torrenciais que costumam cair no verão.

3 - Dezenas de outros mega projetos estão aparecendo a cada dia, causando sérios transtornos. Um deles, próximo à praia, está há meses sugando o lençol freático, jogando água pura na rua, para conseguir secar o terreno que foi cavado para a construção de garagens subterrâneas. Nada disso parece constituir ilegalidade, mas a comunidade já não suporta mais ver o desperdício de água pura, elemento que é tão importante para a vida.

4 – A Casan iniciou no ano passado um projeto de construção da rede de esgoto, mas desde então a comunidade tem se manifestado contrária a proposta de uma rede que desemboque numa única estação de tratamento que some todo o esgoto da ilha para ser jogado, via emissário submarino, no mar do Campeche. Várias manifestações já foram realizadas e o plano diretor construído pela comunidade definiu por pequenas estações de tratamento em que parcelas da comunidade assumam a responsabilidade pelo seu esgoto, sem que seja necessário jogá-lo no mar. Essa tecnologia existe, é acessível e nada impede a municipalidade de usá-la. Mas, a prefeitura, assim como a Casan não são sensíveis aos desejos da população e seguem com seu projeto original. Esse ideia, ultrapassada e poluidora trará também graves impactos ambientais á comunidade.

5 – Não bastasse ficar surda à comunidade a Casan tem sistematicamente desrespeitado a lei ambiental construindo rede coletora sobre as dunas, onde se aglomeram algumas casas de gente rica, construídas de forma ilegal. Os canos estão desembocando na praia, também em flagrante ilegalidade.

6 – Ao mesmo tempo em que a Casan premia os endinheirados invasores das dunas, a Justiça utiliza de sua conhecida predileção pelos ricos e coloca abaixo um espaço comunitário que existia na praia desde a década de 80, reconhecido como espaço cultural e patrimônio do Campeche. O histórico Bar do Chico foi derrubado, às seis horas da manhã de um dia chuvoso, sem que a comunidade tivesse tempo para se organizar, uma vez que todas as outras tentativas haviam sido barradas pelo povo. Poucos meses depois, o empreendimento Essence, que se localiza no rumo do bar construiu um deck de madeira, ocupando o espaço do antigo bar, para seus “privilegiados” moradores. Por ação popular o deck foi derrubado, mas pode voltar.

7 – Também o direito de ir e vir e de ocupar a praia pública está cada dia mais limitado aos locais. É o caso da faixa de praia que tem início na Comunidade das Areias até o Bar Tropical, no Morro das Pedras. Em função de alterações de zoneamentos, feitas há décadas no Governo do Bulcão Vianna, os Condomínios que foram construídos ao longo de quase 2 kms de praia não respeitam a lei, a qual determina que a cada 200 metros deve haver saída para a praia. Assim, espaços públicos ganham caráter de propriedade privada, impedindo o acesso aos moradores. A rua Manoel Pedro Vieira está totalmente tomada por Condomínios, incluindo-se aí a mansão de praia do tenista Guga Kurten e o Hotel Morro das Pedras, erguidos sobre as dunas, assim como os condomínios. Isso afronta o direito de ir e vir, mas nada é feito contra esses que praticam apartheid social. A rua citada, onde está a casa do tenista, hoje conta com apenas duas saídas para a praia.

8 – As mudanças climáticas e a ação desordenada do homem, que levaram à destruição da praia da Armação, também no sul da ilha, se faz presente também no Campeche. Com as construções de luxo sobre as dunas, a paisagem muda e transforma o ritmo da natureza. Nos últimos anos, as ressacas no Campeche têm sido vorazes e várias casas, construídas irregularmente sobre as dunas, são atingidas. Alguns destes proprietários realizaram obras de enrrocamento (colocação de pedras ou cimento) na praia, visivelmente ilegais. Algumas delas, barradas posteriormente, oferecem sérios riscos aos banhistas, com pontas de ferro assomando pela areia e outras escondidas sob o mar. E para completar este cenário de completo desrespeito pela vegetação nativa, os invasores de dunas estão cobrindo-as com lonas de plástico. Estas atitudes isoladas e egoístas têm causado mudanças, inclusive com a diminuição da faixa de areia.

9 – O desrespeito ao terreno natural e aos olhos de água que abundam no Campeche leva a grandes tragédias como o alagamento sistemático de áreas com a conseqüente destruição de casas e bens. As soluções, em vez de melhorar, são cada vez mais atrapalhadas, como por exemplo a idéia de tubular o Rio Rafael, com a proposta de construir um prédio sobre ele, o que poderá ocasionar ainda mais alagamentos na região, com a água não tendo para onde escoar.

10 – Para fechar com “chave de ouro” o processo de destruição sistemática do modo de vida do Campeche, agora, com o conluio de empresários da área, sem ligação emocional ou cultural com o bairro, está sendo organizado um mega-show na praia, onde desemboca o rio Rafael, patrocinado pela Skol. Estes eventos, além de serem portas de entrada para o tráfico de drogas pesadas, mexem de forma visceral com a estrutura do bairro. O Campeche, da forma como está organizado hoje, com ruas estreitas e apenas uma avenida, não comporta um fluxo excessivo de carros. Tampouco tem condições de acomodar um estacionamento para todos os visitantes que virão para o show, além de não apresentar estrutura sanitária. Como a comunidade é tradicionalmente residencial, estes mega-eventos tendem a perturbar todo o modus vivendi do povo da região.

Por conta de todos estes pontos elencados aqui, a comunidade decidiu iniciar um processo de luta pela manutenção da qualidade de vida no bairro, fortalecendo os seguintes pontos:

1 – Exigir fiscalização rigorosa para todos estes empreendimentos que estão em andamento.

2 – Realização de estudo do impacto que esse adensamento populacional pode causar para o sistema de água, esgoto e transporte.

3 – Exigir imediata aplicação da Lei Municipal buscando a abertura de acesso à Praia do Morro das Pedras em toda a Rua Manoel Pedro Vieira.

4 – Moratória imediata para a construção de novos empreendimentos até que seja definido o Plano Diretor.

5 - Suspensão do mega-show promovido pela Skol por completa incapacidade estrutural do bairro em atender a uma demanda gigante de pessoas.

*Elaine Tavares é Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos,inaugurando o esperado pachakuti. Contato: eteia@gmx.net

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Boicote o Show do Ben Harper no Point do Riozinho

Praia do Campeche: paraíso na mira dos especuladores imobiliários (Imagem: Gabriel Dread)
A degradação ambiental e a especulação imobiliária caminham juntos. No bairro do Campeche, em Florianópolis, a invasão de áreas protegidas por grandes investidores ocorre sem o menor controle do Estado. A população tenta se mobilizar, mas parece que a grana fala mais alto e a vontade popular não significa absolutamente nada para os corruptos governantes catarinenses. As forças babilônicas estão tomando conta da Ilha do Desterro...

Para coroar a destruição do sul da Ilha da Magia, o Point do Riozinho, uma das muitas entradas da praia do Campeche, foi escolhido para ser a sede do Skol Praia, evento multimilionário promovido pela marca de cerveja para atingir o público jovem. Segue abaixo um texto indignado de uma moradora do bairro que retrata bem a nossa opinião sobre o assunto.

Manifesto contra o Skol Praia

Por Gabriela Breggue da Silva

Amigos,

Quero compartilhar/argumentar com todos vocês a indignação dos verdadeiros moradores do Campeche com relação ao Show do Ben Harper que a Skol está promovendo e financiando.

A nossa comunidade era um lugar habitado por poucas famílias nativas que viviam da pesca e da prática açoriana de produção artesanal de farinha e foi agraciada pela generosa beleza natural de uma praia grande e linda e uma ilha que guarda muito sobre a história dos nossos antepassados. Como qualquer outro bairro da ilha foi crescendo, terrenos foram sendo vendidos até que recebeu a praça em homenagem ao primeiro campo de aviação da cidade, onde dizem as más línguas ter recebido o escritor de O Pequeno Príncipe, Antonie de Saint-Exupéry. No qual deu-se o nome de uma avenida importante do bairro a Avenida Pequeno Príncipe, principal acesso à Praia do Campeche.

Muito o Campeche cresceu a partir daí recebeu asfalto, material de construção, supermercado, posto de gasolina, imobiliárias, grandes empreendimentos, lixo, esgoto, destruição, construções em APP (Áreas de Preservação Permanente) e claro o Cacau menezes fazendo propagando do novo point da ilha a "Praia do Riozinho”, como se o Pico do Riozinho virasse uma nova praia idependente da Praia do Campeche. E que como prevíamos deu certo, grande poder de convencimento têm um apresentador do Jornal do Almoço da RBS Tv programa visto por grande parte da população florianopolitana.

Nesta última sexta-feira dia 28/01 no Diário Catarinense o colunista Marcos Espíndola teve o desprazer de falar mal dos moradores do Campeche por promoverem uma manifestação não só contra o Show do Ben Harper (de lastimável impacto ambiental) mas contra também as especulações imobiliárias. Fonte: Diário Catarinense.

E como um bom desinformado, o colunista Marcos cometeu uma grande gafe... Vamos ao princípio: O riozinho do campeche nunca foi chamado de Rio do Rafael, este aliás já existiu, porém foi extinto por uma família muito poderosa que comprou o terreno que compunha o rio e claro o destruiu, que nascia na Lagoa da Chica. O nome verdadeiro é Rio do Nóca (Zeferino Breggue - meu bisavô) e antes de receber este nome era chamado do Rio João Francisco (João Francisco Breggue - meu tataravô), meu avô Reduzino Zeferino Breggue, o Seu Gino, conta que esse rio nasce na Lagoa Pequena e desemboca na praia. Ele lembra que este rio era usado pela comunidade para lavar roupas e os tipitins (balaios usados da farinhada e lavados no rio), diz, que chegavam carros de boi cheio destes e que já existiu até jacaré no local.

Agora vamos ao que interessa. Toda a família da minha mãe, nasceu e cresceu no Campeche, têm as raízes açorianas fincadas nesta terra, e eu fui criada em meio a uma cultura linda onde cada vez que entro na casa de meus avós peço a benção deles para dirigir-lhes a palavra. Não posso deixar que falem mal, e principalmente notícias equivocadas com erros sérios em um jornal de grande circulação da cidade.

Este bairro sofre com uma péssima infra-estrutura para receber turistas têm pouquíssimos hotéis e pousadas, não há estacionamento nem para quem visita a praia fora da temporada imagina para um Show que deslocará aproximadamente 15.000 pessoas. Onde essas pessoas estacionarão seus carros??? E o que é pior o palco e toda a estrutura para receber esse show está alocado em uma APP (Área de Preservação Permanente). Já derrubaram o Bar do Seu Chico com o argumento de que àquela construção infringia as leis ambientais. Tudo bem, lei é lei e deve ser cumprida, mas então que se aplique a todos e não simplesmente sirva para os que não tem dinheiro para comprar a vista grossa, a autorização e o silêncio de alguns. Espalharam empreendimentos por todo o bairro, cada dia encontro mais lixo na praia. ONDE NOSSO BAIRRO VAI PARAR???

Não quero ver a história deste lugar tão encantado ir pelo ralo. Precisamos perceber que esse Show é uma estratégia para trazer cada vez mais turistas para a ilha, sem poder dar-lhes a estrutura que prometem nas propagandas, banners, folders, outdoors e etc. Fila a alguns anos atrás era raro, e hoje??? Até fora de temporada nos deparamos com as estressantes filas, coisa que era “privilégio” apenas de São Paulo e outras cidades grandes. Como vai ficar nossa cidade depois de receber 15.000 pessoas para esse show??? Mais especulação imobiliária, mais condomínios, mais prédios, mais construções irregulares, mais filas, menos esgoto tratado, menos infraestrutura, menos capacidade de acolher tanta gente interessada em morar nessa ilha que não foi feita pra comportar tanta gente! Esses políticos e empresários só querem saber de rechear seus bolsos com dinheiro, não pensam no bem estar da população, não ligam para a qualidade de vida de quem paga os impostos... Quanto mais dinheiro para eles melhor. E para responder a pergunta que o querido colunista ali de cima fez, VOTAMOS CONTRA SIM! Minha família votava todo os dias contra. Mas somos muito poucos, contra tanta gente querendo conhecer o Riozinho, o Campeche e Floripa. Sabemos que todos que vêm para a ilha se apaixona pelas praias, pela terra de gente bonita e simpática. Você que se mudou para Florianópolis a pouco tempo, que esse pouco tempo seja 20 anos, continua sendo considerado imigrante, se apaixonou pela cidade no instante em que colocou os olhos na ilha, imagina com as cenas que passam na nova novela da Globo, quantas pessoas não estão sonhando em morar aqui. E o show do Ben Harper, Donavon Frankenreiter e Tom Currem vai ser a oportunidade de vir assistir ao Show gratuito e conhecer a cidade, e posteriormente se mudar de vez para cá, porém sem investimento nenhum da prefeitura/estado em infra-estrutura para a cidade.

Como dizem por aqui essa ilha logo logo vai afundar.

Proponho o Boicote do Show, nada contra os caras, muito pelo contrário, acredito que se eles soubessem onde eles irão tocar não o fariam, são pessoas inteligentes e acreditam na preservação ambiental, e tocam muito. Mas não aqui.

Ajudem repassando ao maior número de pessoas conhecidas e vamos fazer um boicote. Não vamos ao show.

Espero que todos que se preocupam com o lugar onde moram, vivem ou passam férias, conscientize-se e participe desta grande mobilização pela preservação da Praia do Campeche.

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Movimento Campeche Qualidade de Vida

Associação dos Moradores do Campeche - AMOCAM

Jornal do Campeche

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