Mostrando postagens com marcador RastafarI. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador RastafarI. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Banca da Graça: uma experiência de economia da dádiva e amor incondicional

Imagine que você está andando no centro de sua cidade. De repente, você se depara com uma banca cheia de CDs, DVDs, livros, utensílios diversos, brinquedos de criança, aparelhos celulares e até um computador. Instigado pela curiosidade, você resolve se aproximar e descobre que tudo isso está de graça. É só chegar e pegar! Esta é a proposta da Banca de Graça, uma iniciativa subversiva e revolucionária que você vai conhecer agora.
Desde criança aprendemos a fazer operações matemáticas de compra e venda no mercado. Em nome de uma boa aprendizagem, somos treinados a fazer uma lista de compras, ser um cidadão comportado e, com isso, internalizamos que o importante é não sair perdendo, não ser nunca passado para trás. O referencial estabelecido na nossa sociedade é de que o mundo é feito de transações econômicas envolvendo bens, serviços e moeda. O que está por trás das transações econômicas? O que está oculto sob a lógica financeira da permuta?
Muitos nem imaginam que podem vivenciar uma situação de dar e receber que não seja de compra e venda de bens e serviços. Mas no universo temos uma infinidade de recursos e energias flutuantes, materializadas ou não, que estão circulando DE GRAÇA. Quando nos damos conta de que existem energias disponíveis, que podem simplesmente circular, adentramos em uma outra lógica: chegamos ao mundo da Banca de Graça.
Banca da Graça é um entreposto de doações. Qualquer pessoa pode doar ou pegar para si qualquer coisa. A idéia subverte a lógica do mercado e vai além do processo que o mundo alternativo aprendeu e chama de Economia Solidária, redes e feiras de troca ou escambo. Na Economia Solidária, é preciso ter alguma coisa para realizar a troca, seja uma moeda social ou um produto comprado no supermercado. A troca ainda é condicionada. Não é mercantilizada como no capitalismo selvagem, mas ainda assim ela é obrigatoriamente bilateral. Na Banca de Graça não é preciso trazer nada e não há obrigação de levar nada. Pode-se, inclusive, realizar apenas uma troca energética, não material. É um exemplo perfeito da Economia da Dávida do MAUSS!
A palavra GRAÇA tem um duplo significado: em termos econômicos, GRAÇA tem o sentido de gratuito, aquilo que dispensa o desembolso de dinheiro. Por outro lado, quando utilizada de maneira transcendental, a palavra GRAÇA significa benevolência divina em favor de alguém ou de algo. Assim, realizar uma banca DE GRAÇA é uma atitude simultaneamente econômica e espiritual.
O que a Banca de Graça propõe é simplesmente retomar aquilo que diversos mestres do passado deixaram para nós. Nem todos falam sobre dinheiro, mas muitos colocaram a questão energética: dedica, serve e doa para todos, incondicionalmente.
"Quem guarda em casa aquilo que a outros é necessário, esse é um ladrão"
Mahatma Gandhi

Como surgiu a Banca de Graça

GYUW – que prefere não se identificar para não inflar seu ego – foi o “canalizador” da iniciativa. Segundo ele, a Banca de Graça não é sua criação, mas uma crê-ação – o que ressalta o caráter espiritual da ação, ao implicar que basta ter fé e agir de acordo. Em 2009, ele estava em uma comunidade na Chapada Diamantina (BA) realizando um retiro de silêncio quando recebeu a inspiração para contribuir com mais uma luz para o caminho da organização humana. Num esforço de humildade, GYUW ressalta que provavelmente existem outras iniciativas semelhantes: “Quando a gente recebe as coisas em um nível interno, isso não é comunicado apenas a um ser, mas a diversos seres para ajudar a ressoar para a humanidade. Cada um vai passar de um jeito”.
Em sua dissertação de mestrado em Pedagogia, defendida em 2005 na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), GYUW já falava sobre compartilhar incondicionalmente. O prof. Armando Lisboa, um dos maiores nomes da Economia Solidária do Brasil, fez parte da banca de defesa. Na ocasião, ele afirmou: “Acho maravilhoso, mas não tenho como defender isso na academia porque está além do que a ciência econômica estuda”.
Após o retiro que trouxe a inspiração para realizar a Banca de Graça, GYUW se dirigiu para São Roque, próximo à capital paulista, onde a ideia se tornou realidade. Lá ele se juntou a um grupo que atuou como núcleo gestor da 1ªBanca de Graça, que aconteceu na praça central da cidade.
Por influência ou participação direta de GYUW, a Banca da Graça já aconteceu nas cidades de São Roque (SP), Curitiba (PR), Águas Mornas, Palhoça e Florianópolis (SC). Algumas experiências foram realizadas em praças públicas, outras em espaços fechados e eventos.

Reação do público

Desde o início, a preocupação dos núcleos organizadores esteve focada na orientação espiritual, considerada por GYUW pré-requisito indispensável para realizar uma Banca de Graça. “Percebemos que, se não houver uma preparação espiritual interna, corre-se o risco de criar uma confusão” – afirma GYUW. “Imagine você colocando em praça pública uma banca e oferecendo gratuitamente várias doações. Neste mundo maluco que esta aí, pode virar uma briga para ver quem leva primeiro o quê. Eu sabia que tinha que ter um trabalho interno para que não fôssemos nós, para que a Energia Maior conduzisse, para que fôssemos só os instrumentos.”
Nas praças públicas, o contato com o público acontecia de maneira generalizada, envolvendo os transeuntes de todas as faixas etárias e classes sociais. Alguns simplesmente ficavam em silêncio, tentando compreender o que estava acontecendo. Outros conversavam bastante, se interessavam e concordavam com a iniciativa. Muitos desconfiavam: “Banca de graça, como assim? Computadores, livros, roupas, tudo de graça?”
“Não é coerente restringir a Banca de Graça a alguns tipos de produtos; se a pessoa traz 5 pacotes de soja transgênica e alguém quiser pegar, que pegue. É incondicional.”
GYUK, canalizador da Banca de Graça
GYUW relata que “ocorriam verdadeiros choques de alma, em que as pessoas ficavam perguntando: ‘Como pode ser de graça?’ Não ficavam perguntando tanto pra nós, mas pra elas mesmas. Estávamos colocando praticamente o avesso do que é normal neste mundo, que é utilizar a moeda para comprar a vida – até na hora de morrer”.
Em alguns casos, a reação verbal ou corporal era permeada de medo e angústias, conforme conta GYUW: “Em São Roque um senhor idoso estava passando e falamos ‘Pode chegar que está tudo de graça, fique à vontade’. Aquele senhor demonstrou como o ser humano está travado, robotizado e abobado neste mundo. Ele reagiu gritando: ‘O quê? De graça? Cês tão me enganando! Lorota!’. Saiu revoltado, achando que estava sofrendo alguma espécie de golpe. As pessoas estão tão sedimentadas no mundo cristalizado da compra e venda que uma pessoa de mais idade reage desta maneira agressiva e assustada.
Se você prepara isso apenas materialmente, você corre risco de receber socos, foices e pontapés como resposta. Se você prepara isso alinhado com suas forças interiores e as forças e hierarquias maiores, o risco é menor.”
GYUW
Chegou-se à conclusão que a melhor maneira de sensibilizar as pessoas era ficar em silêncio. “Se alguém pergunta, nós respondemos, mas não podemos ficar induzindo ou provocando algo, mesmo que seja com intenção pura. Cada um vai tomar o contato, chegar da maneira que pode. Isso é um momento espiritual: deixar que cada um entenda. Se eu percebo que a pessoa anseia por respostas, eu ajudo, mas não existe uma verdade única. Não adianta ficar explicando muito, cada um tem seu processo” – esclarece GYUW “Cada pessoa que chegar terá seu entendimento próprio. Não tem como unificar este entendimento. Muitos acreditam que as coisas têm que ser entendidas por todos, que deve haver uma uniformidade de pensamento. Isso é um equívoco pedagógico desta ciência que não entende que nós não temos que uniformizar nada. Apenas coloca-se aquilo que é essencial e cada um entende como pode. Isto vai servir para cada um de uma maneira diferente”.
Pode chegar alguém com uma caminhonete, levar tudo embora e abrir uma banca para vender as coisas. Nós não questionamos isso, estamos aí para servir a uma força maior. Se alguém fizer isso, o carma é dele, não é nosso”.
GYUW
Em outra ocasião, um pedestre viu a Banca de Graça e perguntou se poderia doar um computador que estava em pleno funcionamento. A doação não durou nem 5 minutos parada em cima da banca. Quem levou foi uma pessoa que estava passando de carro na rua. Ela viu, fez a volta de carro, parou no estacionamento do supermercado, atravessou a rua, veio à banca e perguntou: “É verdade que aqui tá tudo de graça? Então eu vou levar este computador”. GYUW retrucou simplesmente dizendo “Bom caminho”. Alguns questionaram a atitude de GYUW, dizendo: “Mas essa pessoa nem interagiu com a idéia da banca, não quis saber a filosofia. Ela foi utilitária, pegou porque precisava.” GYUW respondeu que entende isso da seguinte maneira: “O humano tem a capacidade de julgamento da justiça maior? Alguns se iludem que tem. Mas quem sabe o que é justiça num nível cósmico sabe que não temos esta capacidade. Trabalhamos com a idéia de que tudo será ofertado, tudo vai ser compartilhado. Não cabe a nós fazer este julgamento”.
Algumas pessoas começaram a querer colocar critérios. Mas qual o sentido de fazer uma Banca de Graça com limites? A Graça não tem limites nem regras. Ela é infinita. Buscamos ser coerentes com isso”.
GYUW

Desapego gera abundância

A filosofia típica de quem faz a doação é assistencialista e segue a lógica de “limpar as prateleiras e tirar o lixo de casa”. Mas a Banca de Graça busca ir além desta proposta, inspirada por mestres espirituais que afirmam: “doe aquilo que você usa e exerça o desapego”. Fundamentada na prática da renúncia consciente, a Banca de Graçapropõe a doação do que é útil, e não daquilo que não se usa mais e entulha a casa – pois isso nem deveria existir! ABanca de Graça nos desafia a aprender como fazer a energia circular e abrir mão. “Solicitamos que só seja doado o que estiver em boas condições de uso”, explica GYUW.
Dentro de um entendimento utilitarista de mundo, a Banca de Graça seria um empreendimento fadado ao fracasso: mais cedo ou mais tarde todas as doações acabariam e não haveria mais o que oferecer.
Mas a prática demonstrou o contrário. A orientação filosófica da Banca de Graça agia sobre as pessoas. A energia do desapego se manifestava. Sempre havia mais doações sendo trazidas para a banca do que sendo levadas. Quando se encerravam as atividades, sempre havia novas oferendas.
Tem que colocar na roda e deixar a energia fluir. A idéia do compar-trilhar é justamente que esse compartilhamento é uma trilha, um caminho evolutivo da humanidade. O infinito caminho na trilha compartilhando.”
GYUW

Fogueiras públicas

No núcleo gestor surgiu um problema: o que fazer com o excesso de doações gerado pelo desapego e compartilhamento? O grupo fez um levantamento de possibilidades para solucionar o impasse: conseguir um espaço para estocar as doações, fazer parcerias com comunidades mais pobres, ou ainda procurar uma tribo indígena próxima à cidade. Mas quando se trabalha com a consciência do desapego, faz sentido levar bugigangas a outras localidades? Por coerência, os organizadores da Banca de Graça decidiram oferecer a estas comunidades a opção de aceitar ou não as doações.
Mas inevitavelmente, o problema do espaço para armazenar tantas doações voltaria a afligir o núcleo gestor. A saída proposta por GYUW foi “fazer fogueiras públicas nas esquinas das grandes cidades. Queimar as bugigangas que esta sociedade desenvolvimentista producionista consumista capitalista economicista fez da Terra e das nossas vidas. Estamos tão atolados de tantas coisas… Mesmo os que são chamados de favelados e pobres. Quem trabalha em comunidades menos favorecidas já observou que a casa destas pessoas também está atolada de bugigangas. O que fizemos do planeta, da nossa vida? Criamos um amontoado de quinquilharias. E todo mundo quis isso. Todo mundo comprando sempre e achando que vai comprar mais. Estas fogueiras poderiam simbolizar que nós estamos repensando em direção ao simples”.
Para que isso ocorresse de forma sustentável, não seriam queimados plásticos ou produtos tóxicos. A permacultura traria a solução para este impasse: reaproveitar essas coisas, utilizando-as como parte interna de paredes e cobrindo tudo com barro ou superadobe. Existem, por exemplo, bioconstrutores e permacultores que fazem casas inteiras reaproveitando garrafas pet, pneus, embalagens tetrapak e fraldas descartáveis.

O necessário e o supérfluo

Destino típico das bugigangas da Sociedade do Consumo
A simplicidade é a chave para que possamos nos relacionar apenas com aquilo que é necessário, e não com o supérfluo. Paradoxalmente, o mais difícil é justamente discernir entre um e outro.
Cada pessoa é uma alma que está vibrando em um nível evolutivo de consciência”, explica GYUW. “Para algumas pessoas, bens como freezer, secador de cabelo, máquina de lavar louça e geladeira são necessários. Para outras não. Essa discussão tem parâmetros sagrados e espirituais para determinar o que é necessário para cada ser humano. Há mestres que dizem que, estando firmado em uma consciência espiritual, nada é necessário. Você não precisa de nada porque tudo está dado. O que eu tenho agora é o que eu preciso. Só que o que eu tenho é o que está manifestado. Não o que meu ego precisa correr atrás para adquirir. Não por necessidades criadas externamente, mas por contato interno. A busca é por uma vida de simplicidade”.

Minha experiência prática

Em 2006, durante o SABESS (Saberes Bioregionais: Ecodesign Para Sistemas Sustentáveis – Com-Vivência De Trocas), evento organizado em Águas Mornas (SC) por GYUW e amigos, eu tive o primeiro contato com o que seria o embrião da Banca de Graça: uma simples mesa cheia de coisas ofertadas. Eu fiquei meio chocado e não havia nem ao menos com quem interagir, pois na época GYUW ainda não havia refletido sobre a necessidade de mediação humana para facilitar o ato de compartilhar.
Muitas coisas que estavam na mesa me interessavam, mas eu ficava em conflito: pego ou não pego? Será que eu realmente preciso disso? Alguém considerou que isso deve circular. Será meu direito fazer esta energia materializada estagnar? Eu sentia que a responsabilidade era ainda maior por eu estar pegando algo de graça. Eu não tinha o direito de pegar isso se eu não fosse realmente usar. No fim, acabei não pegando nada e ainda deixei alguns objetos na mesa, estimulado pela proposta de desapego.
Em Junho de 2010, durante a elaboração deste artigo, resolvi colocar a mão na massa e realizar eu mesmo umaBanca de Graça. Para simplificar a tarefa, escolhi o “Jeito Simples” (Vide quadro anexo): selecionei utensílios em casa para exercer o desapego e abri uma canga em um encontro de trocas da extinta Rede Viva da Ilha de Floripa.
Os membros da rede de trocas aceitaram minha intervenção de maneira simpática e bem humorada. Feliz ou infelizmente, não consegui doar nada, apesar de muitas pessoas demonstrarem interesse por algum dos objetos que levei. Parece que a proposta do desapego repercutiu nos participantes do evento, talvez porque eles mesmos já estivessem sensibilizados a respeito do excesso de bugigangas que nossa sociedade instituiu e que todos nós acumulamos em casa. O fato é que acabei trazendo minhas doações de volta para casa. Até mesmo aquele livro da saga Crepúsculo que uma adolescente namorou, mas não levou!
Carreguei tudo por várias semanas, oferecendo em diversos lugares, até que consegui doar os artigos eletrônicos – mp3 player, webcam, máquina fotográfica, entre outros – para amigos próximos, livros para a Biblioteca da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e brinquedos de criança para o Serviço de Atendimento Psicológico da UFSC.

Subverta-se

Comece a pensar que a vida pode ser diferente. É simples. Basta apenas boa vontade. E organização. “Nós organizamos e está aqui” – diz GYUW –. “Imagine se todas as comunidades e bairros organizassem isso? Está sobrando. Quem não tem energia em casa parada, sobrando? Inclusive coisas úteis. Ficam lá paradas por 5 anos. `Um dia eu posso precisar´. De repente tem outra pessoa precisando agora. É comum pensarmos em uma desgraça ou eventualidade. Isso é o apego. Mas a lógica da fluidez da energia do universo é totalmente compreensível: você vai ter quando precisar, não precisa guardar. Amanhã, se você precisar, você vai ter. Você vai ter porque você precisou.” Cabe a nós facilitarmos este processo. A Banca de Graça vem no sentido de propagar uma mensagem muito simples: circule a energia.
Banca de Graça é uma transição, um ensaio, uma escolinha. A lição é que você dá forma ao seu mundo. Somos todos co-autores da realidade. Acredite que irá se manifestar. Nessa nova Terra que está surgindo não haverá mais privação. É o que os antigos chamavam de milagre.
A fome existe? Existe como percepção, porque há uma ignorância das massas. Existe a ignorância que leva à fome: as pessoas acham que precisam de moeda para comprar comida. Como existe um contingente de excluídos das melhores oportunidades econômicas, então esta massa fica com fome.
Banca de Graça traz a seguinte resposta: há fome porque há ignorância. Se a energia estiver circulando, não há fome porque o planeta é abundante. As sagradas e comestíveis ervas daninhas, como a trapoeraba, o trevo, a ora pronobis, estão aí, espontâneas, crescendo em qualquer terreno baldio que resista. Estes alimentos DE GRAÇA não são usados por ignorância. Assim, a Banca de Graça é uma proposta de expansão da consciência que tem a ver com a lógica divina. Ela está manifestada de forma natural em qualquer lugar.
A síntese da Banca de Graça é: desapego visando à circulação de energia. Seja esta energia financeira, material, ou abstrata. Se a energia está circulando, você não está perdendo nada.
Não é a lógica economicista da materialidade, não é o capitalismo que vai resolver os problemas do ser humano, como muitos irmãozinhos materialistas acreditam. Vai continuar na mesma se acharmos que a justiça é apenas distribuição de bens. As bugigangas acumuladas mostram que não é bem assim. O socialismo, comunismo – ou qualquer outro ismo que inventarem – vai continuar mantendo os mesmos bens, talvez um pouquinho pior porque todos teriam direito a todos os bens pela lógica da dignidade humana material, para quem acredita neste mito. Sei que muitos de nossos irmãos materialistas se arrepiam com uma constatação destas, mas temos que refletir sobre estas questões. É por isso que eu volto a bater nesta tecla: a Banca de Graça não é fruto de ranço do materialismo ou da piedade de tentar resolver problemas sociais ou econômicos. É uma questão espiritual: despertar para a lógica da circulação livre da energia e o desapego.“Não há revolução possível na humanidade com tantos egos democráticos, como querem acreditar nossos irmãos dos partidos políticos. A Banca de Graça traz o questionamento da própria democracia. Ela não é democracia. Não entenda a banca como democratização de bens e serviços. É outro ponto que está além do ego. Democracia é do ego. Num nível energético superior não existe democracia, existe fluidez de energia.”
GYUW

Para saber (e fazer) mais

ALI’nha’MENTO SOLAR-Cristal/ESPIRITUAL – “FRUTOS DE GRAÇA” CÓSMICA  : blog do GYUW com textos sobre a Banca de Graça, as sagradas e comestíveis ervas daninhas e muito mais.
Freecycle : uma rede de trocas online com atuação global (Infelizmente ainda opera pelo velho paradigma da troca, não estando completamente alinhado com a proposta da doação incondicional

Faça você mesmo: Banca de Graça

Até hoje, todos os grupos que realizaram Bancas da Graça foram compostos por pessoas livres que optaram por se encontrar e realizar uma ação coletiva desvinculados de qualquer instituição formal. O conceito é simples e requer apenas uma pequena dose de boa vontade. Alguns viabilizam doações, outros conseguem uma estrutura e marcam o horário para expor tudo na rua. Qualquer lugar é possível: no calçadão de uma capital, em uma comunidade, na festa de uma igreja. Independente de ser um espaço público ou fechado, se for uma atividade rotineira a coisa se espalha.
 Jeito simples: de um grão de areia forma-se a praia
1- Escolha o local
2- Abra uma canga ou esteira de palha no local escolhido;
3- Coloque uma plaquinha com os dizeres: “Banca de Graça”;
4- Diga: “Aqui é a Banca de Graça. Se quiser deixar alguma coisa aqui, fique a vontade. O próximo que passar e quiser levar, leva”.
Jeito elaborado: o sertão vai virar mar
1- Monte um grupo gestor;
2- Faça uma arrecadação;
3- Defina a data* e periodicidade**;
4- Consiga uma barraca de madeira ou qualquer estrutura para expor as doações;
5- Imprima cartazes com reflexões e orientações para não precisar repetir a mesma coisa diversas vezes;
6- Faça a Banca de Graça conforme decidido em grupo.
*É recomendável não fazer divulgação pública para não gerar expectativas ou confusão.
**Se houver periodicidade, sugere-se que a banca aconteça rotineiramente, mas seu local mude constantemente para evitar excesso de doações ou tumulto.
Artigo publicado originalmente na MobGround.net. Reproduzido mediante permissão, de acordo com a licença Creative Commons.

Continue lendo >>

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Inclusão Social na Babilônia??

Segundo a Wikipédia, Inclusão social é oferecer aos mais necessitados oportunidades de participarem da distribuição de renda do País, dentro de um sistema que beneficie a todos e não somente uma camada da sociedade. 
Sou adepto  da sustentabilidade, da economia solidária, das agroflorestas, da ecologia profunda, do compartilhar incondicional, da compaixão, da vibração positiva, da I-rmandade, da ajuda mútua, da integração harmônica do homem com a natureza e dos homens entre si, da descoberta da vocação Divina presente em cada um, de agir no Aqui e Agora, da verdadeira transformação, da crítica não-afirmativa [aquela que não re-alimenta o sistema babilouco], da dedicAção, do amor incondicional, do encontro com Deus(a), da espiritualidade...
Para saber mais sobre o que fiz e faço neste mundo em que vivemos, leia a postagem Minhas Atitudes.

No entanto, sem desmerecer a campanha da qual estou participando [pois sei das boas intenções], não posso me furtar a criticar o termo "inclusão social" e a definição do mesmo conforme oferecida pela enciclopédia livre e reproduzida na postagem da Ester, à luz do paradigma crítico da Teoria das Organizações.

Primeiro, o termo: "inclusão social". Acho demagógico e meramente assistencialista. No século XVI, os colonizadores portugueses incluíram os nativos indígenas brasileiras no seus sistema mercantil e trouxeram o conceito de sociedade urbana... resultado no Brasil de hoje: miséria, degradação da cultura indígena, alcoolismo, a maior parte da população nativa foi erradicada... sorte dos que não foram incluídos nisso, e ainda hoje podem praticar seu modo de vida natural e sustentável, mantendo a visão de que somos parte da Terra e ela é parte de nós. Não sou eu que vou incluí-los nesta tragédia que é a sociedade em que vivemos, baseada no medo, no dinheiro, no lucro e na moral judaico-cristã. Prefiro eu ser incluído em outra sociedade...

Segundo, a definição: "oferecer aos mais necessitados". Quem define isso? Quem vai taxar um I-rmão de necessitado? Necessitam do que? Tudo? Vamos taxar algumas pessoas [ou crianças, como é bem comum] de carentes? Quem vai carregar um fardo destes?

"Participarem da distribuição de renda do País dentro de um sistema que beneficie a todos e não somente uma camada da sociedade". Que sistema é esse que eu não conheço? Será que não precisamos então criar este sistema, ao invés de "incluir" os "necessitados" em um sistema falido?

Este termo, inclusão social [e seu derivado, a inclusão digital], diz respeito justamente à inclusão de pessoas no mercado de trabalho. Mercado este que já está saturado, e que conta com um "exército reserva" lutando contra a fome para sobreviver. Incluir pessoas na luta pela sobrevivência, ao invés de permitir que as pessoas vivam.

Karl Polanyi, em sua obra "A Grande Transformação", coloca que a criação do mercado de trabalho é um processo de transformação do trabalho e da mão-de-obra em mercadoria. Uma mercadoria fictícia, claro, mas ainda sim uma mercadoria. Durante a introdução deste sistema na Inglaterra no século XIX, constatou-se que a única maneira de obrigar as pessoas a trabalhares era criando outra mercadoria fictícia: a terra. E ao cercar a terra e impedir o camponês, ao nativo e ao índio de viver em sua comunidade de forma harmônica, como vinha fazendo há séculos, criou-se a única mtoivação possível para alguém se auto-condenar à triste inclusão social no mercado de trabalho: a ameaça da fome e o espectro da morte por inanição. Fica assim, sem saída!

Resumindo: alguém em sua plena consciência só se sujeitaria a trabalhar se ameaçado pela fome e pela pobreza. Esta é a louvada inclusão social... a criação da classe dos sofredores.

Para fechar esta reflexão, alguns insights de Robert Nesta Marley, OM, a respeito da questão proposta:

Babylon System
Letra e música: Bob Marley
Tradução livre: Gabriel Dread

Nós nos recusamos a ser
O que vocês querem que nós sejamos
Nós somos o que somos
Este é o jeito que as coisas vão acontecer

(Se você não sabe)

Vocês não podem nos educar
Para nenhuma igualdade de oportunidades
Estou falando de liberdade
Libertação das pessoas e liberdade

Nós estamos caminhando na prensa de vinho
Por tanto tempo
Temos que nos rebelar
Temos que nos rebelar agora
(Rebele-se!)

O Sistema Babilônico é o vampiro
Sugando as crianças dia após dia
O Sistema Babilônico é o vampiro
(Império em decadência)
Sugando o sangue dos sofredores
Construíndo Igrejas e Universidades
Enganando o povo continuamente
Graduando ladrões e assassinos
Cuidado: eles sugam o sangue dos sofredores

(10X)Diga às crianças a verdade

Porque nós estamos caminhando na prensa de vinho
Por tanto tempo
Temos que nos rebelar
Temos que nos rebelar agora
(Rebele-se!)

Desde o dia em que deixamos a terra de nosso Pai
Nós fomos massacrados
Nós fomos oprimidos

Nós sabemos de tudo
Temos que nos rebelar
Alguém deve pagar pelo nosso trabalho.

Artigo publicado originalmente no blog Irradiando Luz. Reproduzido mediante permissão, de acordo com a licença Creative Commons.

Continue lendo >>

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Eu e Eu contra a Babilônia



Tropa de choque (Imagem: acervo pessoal)

"I and I against Babylon"

por Pedro F.*

O título acima [co-autoria minha com o meu amigo Gabriel Siqueira] resume em poucas palavras a filosofia de Robert Nesta Marley [Bob Marley], o maior popstar do terceiro mundo. "Eu e eu contra a Babilônia". Eu e eu inclui toda a humanidade enquanto fraternidade [afinal das contas, eu sou um outro].

A genética demostrou recentemente que descendemos de um único homem da África, que começou sua caminhada há 60.000 anos atrás. A Babilônia se encontra fora disso, e é estranha a essa fraternidade. Ela deve acabar.

Ou como colocou Joe Strummer [líder do The Clash]: "London's burning!"

*Publicado originalmente no blog do meu I-rmão Pedro F.

.: Dez Mil Platôs :.
Filosofia barata. Sub-literatura. Observações sobre o massacre do cotidiano.

Reproduzido sob autorização do autor. (Exceto a imagem, que incluí sem consultá-lo!)

3 Comentários na postagem original:

Gi falou...
Num sei não... essa sociedade de um indivíduo pode ficar perigosa, se um espelho se interpuser entre os dois...

Pedro Filardo falou...
Eu vou estar assumindo [ouch!] esse risco.

Gabriel Dread falou...
Sociedade de um individuo?? Gi, acho que você está enganada.. Eu e Eu [traduzindo para os leigos: você e eu] somos Um! Somos TODOS UM! Acho que aquela definição do Pedro pode ficar um pouquinho mais clara: Eu [vocês] e Eu [nós] somos o TODO!

A Babilônia é tudo que não faz parte de Eu e Eu... Clareou?

As mais positivas vibrações pra todos!
Em nome do mais Altíssimo, Jah RastafarI!

Beijos e abraços calorosos

Gabriel 'Dread' Siqueira


Artigo publicado originalmente no blog Irradiando Luz. Reproduzido mediante permissão, de acordo com a licença Creative Commons.

Continue lendo >>

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Cannabis Sativa: manifesto pelo debate saudável


Discutir a legalização da cannabis sativa no Brasil: bicho de 7 cabeças

Andei refletindo sobre a marcha da liberdade, a marcha da maconha e o debate que estes movimentos estão gerando. Reivindicamos a liberdade de expressão. Nosso intuito é promover o debate a respeito da cannabis sativa, uma simples erva que foi proibida há menos de um século nos países aliados aos EUA. Isso foi uma imposição do imperialismo estadunidense, motivada por interesses econômicos e de controle da liberdade da população.

Essa história de marcha da Maconha, Bob Marley, "Ei polícia maconha é uma delícia"... isso nunca vai ser levado a sério pela sociedade, nunca promoverá o debate racional que precisamos para transformar a realidade brasileira.

O fato é que a lei nunca será mudada se a mentalidade das pessoas continuar como está. A grande maioria dos brasileiros (vamos encarar a realidade) é contra a maconha.

Sabemos que os argumentos contra a legalização da cannabis e do cânhamo são baseados em preconceitos sem fundamento, em opiniões e dados falaciosos. Isso é explicitamente fomentado pela mídia de massas.

Mas a maioria das pessoas assiste TV e acredita no que ela diz. Além do mais, já são três gerações que viveram suas vidas inteiras com o proibicionismo mandando.

Essas pessoas não tem como saber que a cannabis já foi difundida e utilizada de forma medicinal e espiritual por milênios em todo o globo terrestre, além de ter sido empregada como matéria prima para as mais diversas indústrias, tratando-se de um tipo de cultivo que reduziria em muito o impacto ambiental dos materiais utilizados atualmente.

Achamos super engraçado ficar gritando "Ei delegado legalize o baseado"... Consideramos uma honra e uma homenagem estampar a figura de Robert Nesta Marley nas nossas bandeiras e camiseta...

Mas ainda somos conhecidos como "maconheiros" (com toda a carga negativa que o termo traz).

Nada disso vai promover a discussão que antecede a mudança da lei.

Maturidade é necessária para que a GANJAH, esta erva sagrada, a CANNABIS SATIVA, com seus poderes medicinais de cura, e o CÃNHAMO, material industrial ecológico, renovável e barato, sejam aceitos por nossos irmãos "caretas".

O debate precisa amadurecer dos dois lados. NÓS, que estamos insatisfeitos e que optamos por colocar as cartas na mesa, temos o DEVER de elevar o nível da discussão.

Chega desse papinho de maconheiro muleque, de usuário compulsivo bandido. Tá na hora de crescer e virar cannabista, ativista pelo uso consciente de uma erva aliada do ser humano há 50 mil anos.

O que acham?

Quem concorda, recomendo que se informe onde acontece a Marcha da Maconha mais próxima da sua casa, em: http://marchadamaconha.org

E participe também da Marcha da Liberdade que acontece Em São Paulo, no Vão Livre do MASP, sábado que vem, dia 28 de maio de 2011, às 14hs. Mais informações:
http://www.marchadaliberdade.org/2011/05/1ª-marcha-da-liberdade/

Assine a petição exigindo que os chefes de Estado e a ONU acabem com a guerra às drogas (da última vez que olhei já eram 308 mil assinaturas):
Avaaz.org - Acabem com a guerra às drogas

Se você tiver facebook, confirme também sua presença nos eventos relacionados:

Liberdade de Expressão e direito de discutir a legalização da Cannabis

Marcha da Liberdade

Agora, se você não tem coragem de assumir e sair do armário... então, meu amigo, este aqui é o seu lugar.

Artigo publicado originalmente no blog UsuárioCompulsivo. Reproduzido mediante permissão, de acordo com a licença Creative Commons.

Continue lendo >>

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Aniversário de Bob Marley


Robert Nesta Marley, OM, ou Bob Marley, faria hoje, 6 de Fevereiro de 2011, 65 anos de idade. Em homenagem ao rei do Reggae, sugiro a leitura de dois artigos interessantes que mencionam Bob:

Inclusão Social em um Sistema Babilônico

Bob Marley joga um futebas na casa do Chico

Além disso, coloco abaixo um documentário sobre a vida e o legado de Bob Marley e da música e do modo de vida Rastafari. Eu tenho uma pequena participação no documentário, e espero que você goste!



Este artigo foi publicado originalmente em 6 de Fevereiro de 2010 no blog Irradiando Luz.

Continue lendo >>

terça-feira, 7 de abril de 2009

Nyahbinghi

Nyah significa libertação, objetivo ou propósito. Nyahbinghi (variações: Nyabinghi ou Nyabinghi) é um conceito filosófico que se insere no contexto Rastafari e tem como fundamento a propagação da cultura Rasta através da música.

O termo Nyahbinghi provavelmente vem do leste africano e está relacionada com o culto da resistência ao domínio colonial.

No dicionário rasta, encontramos os seguintes significados para Nyahbinghi:
1. Morte a todos os opressores (negros ou brancos);
2. Guerreiros do leste africano que resistiram aos colonizadores europeus;
3. Grande encontro dos rastas (concentração com fins espirituais);
4. Rastas ortodoxos, tradicionais;
5. Tambor.

Conta a lenda que o baterista da banda clássica jamaicana Skatalites combinou as diferentes batidas nyah com o jazz, criando assim o Ska. Posteriormente, o Reggae foi criado sobre as bases do ritmo Nyahbinghi, como conseqüência do Ska e do Rocksteady. Outra lenda diz que Count Ossie foi o primeiro jamaicano a gravar Nyahbinghi na Jamaica, promovendo assim a cultura Rasta na mídia de massas de maneira pioneira. Além dele, é preciso também citar os nomes de Ras Michael and the Sons of Negus, bem como os Rastafari Elders e os Wingless Angels, como responsáveis pela popularização do ritmo.

Bob Marley and the Wailers, Peter Tosh, Bunny Wailer, Prince Buster, Jimmy Cliff, e mais recentemente Groundation e Jah Levi utilizaram o nyahbinghi em suas gravações e apresentações ao vivo.

O Nyahbinghi é visto hoje como a re-descoberta das raízes africanas, de onde a humanidade se originou.

Três tipos de tambores (geralmente djembês) são utilizados: o baixo, também conhecido como "Esmagador do Papa" ou "Derruba Vaticano" (apelidos que refletem a visão Rasta de associar a Igreja Católica à Babilônia), que reproduz a batida do coração; o médio, reforçando a batida do grave; e o akete ou repique, que toca improvisos sincopados. Apenas um repique ou akete deve ser tocado de cada vez, enquanto o grave e o médio podem ser tocados por diversos músicos simultaneamente.

Na Jamaica, o Nyahbinghi é também considerado o mais importante encontro dos rastas. Este encontro também é chamado Groun'nation. Pode ser comparado a um congresso e geralmente dura de um a três dias e por muitas vezes, até uma semana. Nestes encontros, o som dos tambores aquece o ambiente onde reina uma onda de espiritualidade com muita paz e harmonia.

O homem Nyahbinghi deve abster-se das condutas imorais, adulteras e que no geral vão contra os princípios de JAH. Deve manter-se longe de toda alimentação não I-tal, tem de estar longe de atividades corruptas e criminosas e como um verdadeiro filho de JAH Rastafari, deve lutar sempre pela paz.

Os tambores Nyahbinghi são tocados unicamente por irmãos rastafari durante as horas dos cânticos. Um não rasta não tem permissão de tocar os tambores.

A abertura do encontro é realizada geralmente através da recitação dos Salmos 1, 121, 122, 133 e 24.

Durante o encontro Nyahbinghi, uma fogueira é acesa com a recitação de hinos cristãos modificados ou de sete salmos: Salmo 68, Salmo 2, Salmo 83, Salmo 94, Salmo 20, Salmo 11 e Salmo 9.

Os irmãos dançam em harmonia enquanto outros tocam os tambores. Há um revezamento, mas sempre sem a música parar.

Fonte: No Notion Surf e Wikipedia.

Continue lendo >>

Alimentação I-tal

A alimentação I-Tal e os princípios de uma vida saudável

É importante haver um equilíbrio entre a ingestão dos alimentos que estão abaixo da superfície (interiores) e aqueles que estão acima (exteriores). Os alimentos interiores possuem energias mais densas, já os exteriores recebem diretamente o processo da fotossíntese. O fogo começou a ser utilizado no início para o cozimento das carnes e não dos outros alimentos. Não devemos utilizar óleos ou frituras. O máximo contato com os processos naturais e o mínimo com os industriais é o mais indicado. Os sistemas industriais são sempre perniciosos por estarem condicionados à confecção padronizada, quando cada alimento é um ser vivo diferente e possui seu próprio íntimo, devendo ser preparado em tempos e formas diversos. Todos os enlatados e embutidos ou defumados precisam ser totalmente eliminados. Ainda ressaltar a vantagem dos chás, pois são mergulhados na água e ao ingerí-los, estamos ingerindo a essência das ervas, benéficas para o organismo. Também para os chás, deverá ser evitada a cocção. Após o levantamento da fervura, deve desligar o fogo e só mergulhar as ervas, deixando em repouso por algum tempo. Ao permanecer tampado o recipiente, evita-se que se eterize a parte relativa à alma ou aspecto sutil das ervas. Elas possuem uma volatilização muito rápida, por isso o recipiente deve permanecer totalmente tampado, enquanto o chá está em repouso. Também gostaria de mencionar os condimentos, que devem ser abolidos, principalmente o açúcar. Vocês devem trabalhar para conseguir a eliminação gradual e parcial do sal, que não precisa ser industrializado. Quando tiverem dúvidas, procurem os alimentos que não foram processados por máquinas, esses conservam ainda a chama divina com eles. O leite não deve ser consumido de forma sistemática pelo adulto.



E o café, que tanto delicia seus paladares, é altamente prejudicial para a energia local. Temos os alimentos energéticos considerados de cor vermelha como o mel e as ervas poderosas e os energéticos sutis como as verduras verde-escuras (espinafre, brócolis, agrião, couve) o amarelo das frutas cítricas (limão, laranja ácida, abacaxi e maracujá). Como sabem, todos os alimentos integrais que ainda conservam a seiva da natureza presentes em si são excelentes. Os alimentos altamente industrializados perderam, há muito, a sua seiva vital. Na verdade, conservam a aparência, mas, internamente, já estão nos estertores de sua força vital, quase inexistente. Vocês estariam, assim, ingerindo apenas pequenas cascas ou cadáveres etéreos, que de nada servem para seus órgãos.



Cada Eu deve sentir e conhecer suas necessidades orgânicas, pois tais carências se manifestam por meio dos desejos. Deve-se dar vazão a esses desejos naturais, evitando-se os excessos e os condicionamentos dos hábitos alimentares. O correto é comer sempre devagar, saboreando, mastigando, triturando e salivando muito bem os alimentos. A boa digestão e a incorporação de substâncias nutritivas começam na ensalivação, com a ação das enzimas salivares, e na boa mastigação, pois, afinal, cada órgão tem sua função, e o estômago não tem dentes. Os nutrientes básicos ao organismo são oxigênio, a água, as vitaminas, os sais minerais, os carboidratos (açúcares), os lipídios (gorduras) e as proteínas.

O excesso de açúcar deve ser evitado para que seu excedente não se transforme em gordura, descalcifique os ossos ou ataque a dentina, ocasionando as cáries. Se possível, use mel, melado ou açúcar mascavo


A água é o solvente universal de muitos nutrientes, hidrata o organismo, regula a temperatura corporal, auxilia a circulação e tem ação desintoxicante eliminadora.

O café em excesso é prejudicial, podendo causar constipação intestinal, dor de cabeça, excitação nervosa, insônia e irritabilidade. Tente fazer sua substituição de forma progressiva por cevada, que é calmante e diurética e facilita a digestão.


Os condimentos auxiliam a digestão. Alecrim, alho, cebola, cebolinha, cravo, gengibre, limão, losna, manjericão, manjerona, raiz-forte, salsa (sempre), sálvia e tomilho dão ótimo sabor à comida, mas não devem ser usados em excesso.

É recomendável comer seis diferentes tipos de vegetais (legumes e verduras), de preferência crus, antes de cada refeição principal. Sirva os vegetais à temperatura ambiente. Em teor vitamínico e mineral, destacam-se agrião, alcachofra, alface, alfafa, aspargo, batata doce, beterraba, brócolis, cará, cenoura, couve, couve-flor, espinafre, inhame, mandioquinha, nabo, palmito, rabanete, repolho e vagem.



Com relação às frutas, o ideal é ingeri-las cruas ou sob a forma de sucos, preparados na hora, sem açúcar e sem gelo, para evitar o choque térmico no processo digestivo. Consuma suco três ou quatro vezes ao dia: no desjejum, pela manhã, a tarde e à noite. Utilize sempre as frutas de temporada amadurecidas naturalmente pela energia da luz solar. Crie o hábito de comer frutas digestivas na sobremesa das refeições principais, como abacaxi, laranja, mamão, maracujá ou morango. Em geral, as frutas contêm 50% a 90% de água - além, é claro, de outros nutrientes. As frutas de maior valor nutritivo são ameixa, banana, figo, laranja, maçã, mamão e uva. Frutas e hortaliças completam-se na alimentação equilibrada.

Os vegetais encerram a energia da água, do ar, do sol e da terra, e são, por isso, alimentos mais energéticos e nutritivos. As proteínas, formadas por "tijolinhos" chamados aminoácidos, têm função construtora, formativa de todos os tecidos orgânicos. Elas são, portanto, consideradas os "tijolos da vida". A deficiência das proteínas gera subnutrição, desnutrição, queda das defesas orgânicas, deformidades ortopédicas, etc. A qualidade, a quantidade e a potencialidade nutritiva das proteínas fabricadas pelo organismo dependem da ingestão de proteínas essenciais cujas principais fontes são: peixes, amendoim, aveia, cevada, ervilha, farelo de trigo, gema de ovo, gergelim, germe do trigo, grão-de-bico, lentilha, lêvedo de cerveja, nozes, soja, tremoço, leite.

Evite as carnes. Os que apreciam carne devem dar preferência às brancas: em primeiro lugar a de peixes; depois, as de aves (criadas soltas). As carnes vermelhas contêm aditivos e tóxicos, como antibióticos, corantes, conservantes, hormônios femininos, vacinas e outros produtos químicos empregados desde a criação até o abate do gado. As vísceras (fígado, rins etc...) são as partes mais contaminadas. Não sendo possível abster-se delas, coma-as somente uma vez por semana, dando preferência à carne magra de gado, acompanhada de agrião ou de salsa, para desintoxicar.



Os ovos podem ser consumidos duas vezes por semana. Os ovos "galados" ou "fertilizados" são mais vitalizantes e mais ricos em nutrientes do que os ovos de granja, que começam a se decompor 48 horas após a postura.

As gorduras ou lipídios (abacate, bacalhau, gema de ovo, gorduras animais, leite, manteiga, nata, óleos, oleaginosas, pele de frango, queijos, sardinhas, vísceras, etc.) têm função de reserva energética, de absorção de vitaminas lipossolúveis, de manutenção térmica, de sustentação de órgãos. Em excesso, os lipídios podem dar origem a arteriosclerose, angina, derrame, hipertensão, infarte. O melhor período para a ingestão de alimentos ricos em gorduras é o da manhã, até o horário do almoço. Deve-se dar preferencia às gorduras vegetais. A lecitina, farelo de trigo e os óleos de girassol, de milho e de oliva combatem a arteriosclerose e o colesterol e têm ação antilipídica. Vale lembrar que, em frituras, o óleo não deve ser utilizado mais de uma vez sob o risco de tornar-se tóxica.



O café, considerado pelos árabes como beberagem digestiva e despertadora, nada mais é do que um afrodisíaco. O modo de preparo do café, com sua torrefação preliminar, indica que o que vocês ingerem nada mais é do que as supostas cinzas ou carvões da pequena planta rubiácea. Ela traria melhores benefícios se mastigada crua; porém, da forma como é consumida, altamente queimada e em temperatura elevada, amortece por breves segundos toda a organização bucal, compreendendo a língua e o palato. O choque provocado pela alta temperatura e pelo gosto semi-acre torna todos os fusíveis inoperantes por milionésimos de segundos. Com a ingestão diária e freqüente, apesar do aparente bem-estar, o ser em declínio (a planta do café) ocasiona com isso pequenas interrupções elétricas, provocando interferências.



Vermelho - É a cor que se relaciona com o mundo físico, com o poder, a vitalidade, a sensação de estar presente no "aqui e agora". É indicada para estimular as pessoas que se sentem deprimidas e distanciadas do momento presente, trazer para a realidade o sonhador. Nas pessoas saudáveis, tem efeito vitalizante e estimulante.

Amarelo - É a cor da integridade, que levanta a nossa auto-estima quando nos afastamos da nossa verdadeira natureza e, preocupados em satisfazer as expectativas dos outros, distanciamo-nos da auto-realização. Estimula os nervos, as funções do cérebro e o intelecto. Auxilia o combate à depressão, à melancolia e ao cansaço mental. Atua muito bem na limpeza de energias negativas, assim como nas desordens no aparelho digestivo.

Verde - É a cor pacífica dos campos da Etiópia, e com a tranqüilidade que emite, permite-nos analisar as situações a nossa volta. Alivia as tensões e proporciona relaxamento.
Tradução: Ras Douglas

Continue lendo >>

quarta-feira, 18 de março de 2009

Demos Graças à Água da montanha


por Ras Carlinhos*

"Água, bebam água", Foram as palavras de Harrison Stafford, vocalista do Groundation, quando falávamos da energia que envolve concertos como o realizado na madrugada do dia 14/03/2009 em Florianópolis. Faço da sua fala a minha e agradeço a fonte que nos regará durante a vida.

Neste tempo de crises, onde a humanidade se encontra em um colapso do sistema de valores vigente, será ela que vira purificar. A chuva cai do céu, lava tudo e tudo leva ao mar. Após anos, décadas e séculos de intensas pertubações aos ciclos, a sociedade ainda se julga vitima de catástrofes que não passam de efeitos, na mesma potência que as causas. Efeitos que cumprem um papel para a regeneração da terra e seus ciclos.


Facilmente ao refletir, chega-se a conclusão que os padrões e comportamentos sociais não são sadios. Logo cria-se a consciência ecológica que hoje se fala tanto. Mas só a consciência não basta, é necessário a atitude pra fazer a revolução. Revolução se faz todos os dias, consigo mesmo. Ao vencer barreiras da sua evolução e aceitar-se nas limitações impostas pelo ser.

Reconhecendo-se como filho do sol e da terra, a vivência Rasta busca equilíbrio interno quanto o corpo e mente e externo quanto ao envolvimento com outras vidas e elementos. Do homem ao pássaro, da planta a larva, devem ser tratados com respeito e igualdade. O Rasta sabe da integração planetária (e também cósmica) que une Todos a Tudo, fazendo parte de um mesmo organismo no qual tudo interage e necessita de uma troca que se faz um com o outro.


Se na Natureza acontece algo de uma forma, ela provavelmente está certa, visto seus 4,5 bilhões de anos de experiências. Ela quem nos inspira e na música encontramos alento espiritual e energia para cumprir certos propósitos. A união em torno de palavras e ritmos nos conecta com o passado ancestral e nos proporciona visões do futuro ideal. Assim a integração pelo som nos eleva para espalhar mensagens por toda a Terra.


Com a alimentaçao I-Tal (VITAL, integral e orgânica, livre de aditivos) suprimos nossas necessidades de uma forma harmônica tanto para nosso corpo e mente como para a natureza. Respeitando todos os ciclos desde a integração com os produtores e o plantio dos alimentos, pagando preços justos pelos mesmos, para no fim dar destino adequado para restos e dejetos frutos do dia-a-dia.

É necessária a cooperação de todos para a divulgaçao e construção destas vivencias que visam a coerencia de nossas ações. Chamamos a todos que desejam contribuir com o seu amor e força para que juntos façamos uma otima celebraçao à vida.

Luz e Amor a todos!
Através de Eu e Eu fala Jah,
Ras Carlinhos

Ras Carlinhos é Rasta, vegetariano, naturalista, agrônomo, músico e compositor.
Confira seu projeto musical Rasta Revolution.












Este artigo faz parte do Blog Action Day 2010 - Água.

Imagens: Gabriel Dread

Continue lendo >>
Pingar o BlogBlogs

  ©Template by Dicas Blogger.

TOPO  

Real Time Web Analytics